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Correio Braziliense

Paraguaios queimam bandeira do Brasil

Líder dos sem-terras do Paraguai pediu a expulsão do país, dos agricultores brasileiros e de origem brasileira


postado em 16/05/2008 20:15 / atualizado em 16/05/2008 20:25

A queima de uma bandeira do Brasil em um protesto de um grupo de cerca de cem camponeses sem-terra no Paraguai iniciou uma crise entre os dois países. O fato aconteceu em Curupaiti, departamento de San Pedro, 300 quilômetros ao norte de Assunção. "Foi muito triste ver nas páginas dos jornais a foto da bandeira do meu país sendo queimada", disse o embaixador do Brasil no Paraguai, Walter Moreira, ao canal 4 da televisão paraguaia. "Foi muito triste e injusto que tenham feito isso contra os brasileiros, que contribuem para o progresso e a riqueza do Paraguai. Espero que não aconteça de novo”. O diplomata brasileiro acrescentou que "não haverá protesto oficial porque o dirigente (Elvio) Benítez, que comandou o ato, não pertence a uma organização oficial e nem ao governo". "Mas não existe nenhuma razão para uma posição tão agressiva", ressaltou. Elvio Benítez, líder da filial da Mesa Coordenadora das Organizações Camponesas (MCNOC), a maior agrupação de camponeses sem terra do Paraguai, surpreendeu ao aparecer ontem vestido como o guerrilheiro Ernesto "Che" Guevara Briga com agricultores O governador eleito do departamento (Estado) paraguaio de San Pedro, José Ledesma, onde se concentra a maior quantidade de camponeses sem terra do Paraguai, afirmou hoje (16/05) que a queima "não é grave". "O que verdadeiramente é grave e feio é a morte de pessoas, porque esses empresários agrícolas usam agrotóxicos na fumigação das suas plantações de soja," disse Ledesma à emissora de rádio Ñanduti. Ledesma, do Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA), da coalizão de governo que elegeu presidente ao ex-bispo Fernando Lugo, justificou o protesto de ontem ao dizer que "o povo vive na miséria, enquanto os empresários brasileiros ficam ricos" Elvio Benítez chefiou o desfile paramilitar de cem sem-terra armados com facões, que reivindicavam a "segunda independência paraguaia" do "domínio bandeirante (brasileiro)". Ao final de um discurso, ele pediu a expulsão imediata do Paraguai de todos os agricultores brasileiros e de origem brasileira. Já Néstor Núñez presidente da Associação Rural, fez hoje uma advertência aos camponeses: "Esperem até que Fernando Lugo assuma a presidência do país em 15 de agosto e não pressionem com ameaças de ocupação ilegal (de fazendas). Devemos nos sentar e dialogar”.

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