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Correio Braziliense

Obelisco de Axum começa a ser montado em seu lugar de origem, na Etiópia

 


postado em 04/06/2008 12:58 / atualizado em 04/06/2008 13:11

AXUM - A última fase dos trabalhos de reinstalação do célebre obelisco de Axum, estela gigante datada do 3º ou 4º século d.C, e levado por tropas da Itália de Mussolini em 1937, voltou nesta quarta-feira (04/06) a seu local de origem no norte da Etiópia. "Os engenheiros encarregados chegaram hoje para colocar o primeiro bloco sobre suas fundações a partir de amanhã, com a ajuda de gruas e de cabos", declarou Nada Al Hassan, que supervisiona a operação para a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco). Após ter sido desmontado em três partes em janeiro de 2005 em Roma, o obelisco, de mais de 150 toneladas e de 24 metros de comprimento, foi levado à Etiópia em abril 2005, cerca de 70 anos após ter chegado à Itália, por ocasião da conquista de Adis Abeba pelas tropas de Mussolini. Jazia então no solo, dividido em partes durante um ataque dos muçulmanos no século XVI, perto de um obelisco quase idêntico, ainda intacto no sítio. "É uma construção muito delicada e tentamos evitar qualquer dano. O segundo e o terceiro blocos devem ser reinstalados durante o mês de julho, mas a inauguração só acontecerá no dia 10 de setembro deste ano", acrescentou Al Hassan. "É uma parte importante do patrimônio da Etiópia. O obelisco é "uma lembrança para nós da guerra do sofrimento, da pilhagem e da crueldade fascista para com nosso povo. Sua volta nos permite curar as feridas", disse a deputada Netsanet Asfaw. O obelisco foi levado a Nápoles num primeiro tempo, depois instalado a pedido de Benito Mussolini em Roma diante do ministério das Colônias. A cidade de Axum, inscrita no Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco em 1980, foi a capital deste reino conhecido por seu comércio de tecidos, incenso e jóias. O retorno da estela estava previsto no armistício de 1947. O reino de Axum, convertido ao cristianism entre 325 e 500 segundo os historiadores, perdeu pouco a pouco sua influência para o Islã e para a rota comercial aberta para leste através do porto de Djibuti.

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