WASHINGTON - O senador Barack Obama, que durante a semana alcançou o número necessário de delegados para ser o candidato à presidência do Partido Democrata, se apresenta como representante da mudança e da esperança após oito anos de governo conservador, em um país que nunca teve um presidente negro em mais de 200 anos de história.
Nascido em 1961 no Havaí, fruto de um breve relacionamento entre um estudante queniano e uma americana branca, formado pela prestigada Universidade de Harvard, Obama oferece uma imagem de elegância e retidão, embora não consiga dissimular sua falta de experiência política.
Essa falta de experiência foi objeto de ataques sobretudo por parte de sua rival na disputa democrata, a ex-primeira-dama Hillary Clinton, e de seu oponente republicano John McCain. Cosnciente dessa fraqueza, Obama conseguiu transformá-la em uma vantagem, ao se apresentar em seus atos políticos como o candidato da "mudança" e da "esperança". O título de seu último livro resume exatamente essa postura: "A audácia da esperança".
Obama se autoproclamou candidato democrata à presidência dos Estados Unidos na terça-feira, após conseguir a quantidade de delegados necessária para conseguir a indicação de seu partido para concorrer à Casa Branca. Hillary Clinton, no entanto, ainda se nega a aceitar uma derrota. Segundo projeções dos canais de notícias, Obama alcançou os 2.118 delegados de que precisava para se tornar o primeiro candidato negro de um dos dois principais partidos dos Estados Unidos, e será uma das opções na cédula dos americanos no dia 4 de novembro.
O próprio senador por Illinois, de 46 anos, declarou-se candidato de seu partido após vencer em Montana e perder na Dakota do Sul, onde foram realizadas as últimas duas primárias. "Esta noite, estou aqui com vocês e digo que serei o candidato democrata à presidência dos Estados Unidos", afirmou Obama no discurso simbólico que fez em St-Paul (Minesota), onde ironicamente será realizada a convenção republicana no início de setembro. Obama, que pode ser o primeiro presidente negro dos Estados Unidos, tem sido freqüentemente comparado por seus partidários a John F. Kennedy, presidente democrata assassinado nos anos 60.
Senador desde 2005 e único negro no Senado, Obama não precisou votar sobre a guerra no Iraque, e usou seu discurso contra a guerra para minar a pré-candidatura de Hillary, que votou a favor da invasão em 2003.
O destino de Obama mudou em julho de 2004, quando subiu à tribuna na convenção democrata de Boston. Na época, ele era apenas um político local com um "nombre estranho" que tentava se eleger para o Senado.
Quando deixou o palanque, foi ovacionado pelos delegados: "Não há Estados Unidos de esquerda e Estados Unidos conservador. Só existe um Estados Unidos. Não há uma América branca e uma América negra e uma América hispânica ou asiática: existem os Estados Unidos da América e somos todos um", declarou. Uma vez confirmada oficialmente sua candidatura, Barack Obama entrará na disputa com o veterano senador republicano pelo Arizona John McCain, experimentado político e herói da guerra do Vietnã, especialista em temas de defesa.
Carismático, Obama consegue capturar a atenção de milhares falando em qualquer palanque do país, e diante dos eleitores que se reunem para escutá-lo, ele se apresenta como a melhor alternativa para vencer McCain, outro partidário da guerra no Iraque. Barack Obama é casado com Michelle Obama, de 44 anos, de Chicago, formada em sociologia e direito. O casal tem duas filhas, Malia, de nove anos, e Sasha, de seis.