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Sichuan: a vida entre ruínas

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postado em 31/08/2008 08:15
Quem caminha por determinadas ruas da cidade de Dujiangyan, depois de ter acompanhado de perto toda a pompa das Olimpíadas de Pequim, tem a impressão de ter deixado um santuário para ingressar em uma zona da pior das guerras. O contraste entre as luxuosas e modernas instalações erguidas na capital da China para receber o mundo nos Jogos e as ruínas que ficaram após o terrível terremoto de 12 de maio no centro do país é tão impressionante quanto difícil de acreditar. Naquele dia, a partir das 14h28, quase 70 mil pessoas perderam a vida nas 51 regiões atingidas. Durante três dias, o Correio percorreu diversos locais devastados pela tragédia para ouvir relatos de quem viveu o pesadelo de 8 graus Richter ; a escala é aberta, mas registros acima de 9 são raríssimos. Crianças e professores que viram a escola desabar com os alunos ainda dentro, pessoas que puderam contemplar, apavoradas, montanhas ruírem diante dos olhos, médicos que viveram jornadas de trabalho extenuantes para socorrer todos os feridos. Para entender os estragos do tremor de 12 de maio e dos que se seguiram ; uma réplica de 6,1 graus pôde ser sentida ontem mesmo ;, basta dizer que se a bomba de Hiroshima tivesse sido lançada em Wenchuan, o local do epicentro, situado em uma região montanhosa e de difícil acesso, os danos materiais e humanos seriam menores. A onda de choque de uma bomba atômica arrasaria Wenchuan, mas não correria com o mesmo poder de destruição do terremoto. Balanço O governo chinês divulgou, na semana passada, alguns números oficiais da tragédia. Pela última contagem, os mortos somam 69.226. As vítimas, entretanto, podem chegar perto de 90 mil, já que 17.923 pessoas ainda estão desaparecidas. O número de habitantes que sofreu algum tipo de dano material em suas residências é de 10 milhões. E os afetados indiretamente pelo desastre natural são mais de 45 milhões. Quase quatro meses se passaram e a província de Sichuan, a mais destruída, continua em ruínas. Serão necessários mais de três anos, de acordo com projeções do governo, até que tudo volte ao normal. Além de bastante tempo, os chineses gastarão muito dinheiro. Calcula-se que a reconstrução consumirá algo em torno de um trilhão de yuans. São cerca de R$ 250 bilhões. Essa montanha de dinheiro daria para fazer quase quatro Olimpíadas de Pequim, estimadas em US$ 40 bilhões. Mas nenhum dinheiro no mundo pode pagar o que as milhares de pessoas que sobreviveram a mais essa demonstração de força na natureza perderam no dia do pior terremoto em território chinês nos últimos 30 anos. Leia mais na edição impressa do Correio Braziliense

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