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Correio Braziliense

O maior marco das células-tronco

 


postado em 26/09/2008 07:55 / atualizado em 26/09/2008 08:02

A descoberta do laboratório de Konrad Hochedlinger -- a reprogramação de células do fígado e do tecido conjuntivo em células-tronco pluripotentes induzidas (iPS) com o uso de adenovírus -- é um avanço extremamente importante. Pode ser o progresso que estávamos buscando. Ainda que o advento das iPS seja excitante, tem sido extremamente frustrante não ser capaz de usar essas células clinicamente para ajudar as pessoas. A tradução clínica da tecnologia das iPS tem morrido no decorrer do caminho. É claro, a FDA (agência reguladora de drogas e alimentos dos Estados Unidos) jamais permitiria o uso das iPS geradas com o uso de integração viral (principalmente por causa do risco de câncer, mas também da mutação genética). Este progresso mostra que modificações genéticas de células não são necessárias. O uso de células iPS para tratar -- ou até mesmo curar -- doenças humanas pode não estar distante. De qualquer modo, dito isso, este trabalho foi feito em camundongos. Deve ser um desafio -- e bem mais difícil -- fazer isso no sistema humano. Por exemplo, a modificação viral de células-tronco embrionárias é relativamente fácil, mas as humanas requerem o uso de lentivírus. De fato, nós temos tentado gerar células iPS humanas usando essa técnica (adenovírus) por mais de um ano, sem obter qualquer sucesso. Os dados são bem convincentes. Parece não ter havido qualquer integração viral. A esse respeito, essas células certamente seriam MUITO mais seguras para o uso clínico do que as iPS geradas pelo retrovírus e lentivírus. De qualquer modo, se essa técnica funcionar com células humanas, estudos sobre a segurança e a tumorigenicidade (capacidade de formar tumores) em animais serão absolutamente essenciais para determinar se as células são seguras para uso. Este é certamente o maior marco das células-tronco. Ainda que não seja tão grande como a descoberta das iPS, é o primeiro raio de luz ao indicar que as células iPS poderia ser usadas para tratar pacientes clinicamente. Eu creio que é apenas o primeiro de uma série de avanços que eliminarão a necessidade de geneticamente modificar as células. Esperamos que possamos descobrir como fazê-lo sem o uso de quaisquer vírus -- por exemplo, usando pequenas moléculas e/ou fusão com proteínas. Robert Lanza é cientista-chefe da Advanced Cell Technology (Worcester, Massachusetts - Estados Unidos) e pioneiro nas pesquisas com células-tronco

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