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Correio Braziliense

Pesquisas não param depois da premiação

 


postado em 05/10/2008 09:49 / atualizado em 05/10/2008 09:57

A partir de segunda-feira (06/10), a vida de pelo menos seis pessoas vai se transformar: além de um generoso cheque na conta bancária, elas receberão a máxima atenção da mídia e os convites para proferir palestras vão ser cada vez mais freqüentes. No início da semana em que são anunciados os médicos, físicos, químicos, escritores, economistas e ativistas contemplados pelo Prêmio Nobel, o Correio entrevistou alguns nomes que já ganharam a distinção, considerada uma das maiores honras da humanidade. Apesar de a tônica do discurso ser a humildade, os cientistas reconhecem que o diploma e a medalha entregues pela Fundação Nobel, em Estocolmo (Suécia), impulsionaram o financiamento de suas pesquisas. “Pretendo continuar no laboratório e trabalhar por outros 20 anos.” Foi desse forma que o italiano naturalizado norte-americano Mario Capecchi, de 71 anos, respondeu à reportagem sobre o que mudaria em sua vida, em entrevista feita na manhã de 8 de outubro de 2007. Professor de genética humana e biologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de Utah, ele acabava de receber um telefonema do Instituto Karolinska, de Estocolmo, avisando que foi um dos três cientistas agraciados com o Nobel de Medicina. Capecchi não esconde a surpresa com tudo o que se passou no último ano. “Apesar de minha ciência e minhas metas científicas não terem mudado, a quantidade de participação em outras atividades (palestras, simpósios, etc.) cresceu astronomicamente”, reconheceu. A pesquisa contemplada envolve a recombinação de DNA em ratos: o especialista revelou o papel dos genes envolvidos no desenvolvimento dos órgãos e modelou vários tipos de câncer nos animais. “Eu e minha equipe mantemos os estudos com células-tronco embrionárias e adultas, mas o Nobel me ofereceu a oportunidade de falar, em numerosas ocasiões, em defesa das pesquisas em nosso país”, disse. Ele aposta em áreas da genética propensas a levar a distinção. “Há várias pesquisas com potencial de ganhar o Nobel de Medicina amanhã, incluindo células-tronco, projeto genoma, RNAs, entre outras”, explicou. “Qualquer empreendimento que requer consenso é muito difícil de se prever, pois a dinâmica humana varia muito”, acrescentou Capecchi. As especulações apontam para o brasileiro Miguel Nicolelis, neurocientista da Universidade de Duke (Carolina do Norte) que usou estímulos cerebrais de um macaco para o animal mexer um braço robótico. O prêmio recebido em 2005 já ameaça a aposentadoria do australiano John Robin Warren, de 71 anos. Patologista do Royal Perth Hospital, ele ficou famoso ao provar que a bactéria Helicobacter pylori provoca úlcera gástrica. “Eu e meu colega Barry Marshall desenvolvemos a tríplice terapia para a infecção em 1984, que interrompeu a recorrência de úlceras”, disse Warren. “A principal coisa que o Nobel de Medicina fez foi me deixar muito ocupado. Todos querem um ganhador do Nobel. Agora que acabo de me aposentar, tento fazer uma série de atividades que deixei de lado durante minha vida profissional. Mas já estou quase de volta ao ponto em que estava antes de me aposentar”, comentou. Apoio O norte-americano Robert Howard Grubbs, de 68 anos, não esperava levar o Nobel de Química em 2005. “Foi um reconhecimento ao trabalho de muitos anos no California Institute of Technology (Caltech)”, contou o professor de química orgânica, o pai do premiado catalisador usado em automóveis. “Provavelmente, agora recebo apoio por minha pesquisa que não teria sem o Nobel”, admitiu. De acordo com ele, o prêmio também lhe permitiu aventurar em outras áreas de pesquisa. Já o astrofísico da Nasa — agência espacial americana — John Mather, de 62 anos, viu sua vida sofrer uma guinada após 2006. O Nobel de Física, dado pela descoberta dos corpos negros da radiação cósmica de fundo, rendeu-lhe um convite de promoção no trabalho. “Fui convidado a me tornar cientista-chefe do Diretorado de Missões Científicas da Nasa, além de continuar o trabalho como projetista do telescópio espacial James Webb. Recusei, por achar difícil manter dois trabalhos”, revelou. Mather acredita que os estudos sobre matéria escura, a detecção de planetas ao redor de estrelas, a constatação de que raios gama se originam de explosões a distâncias imensas e o pouso de sondas em Marte e Titã (lua de Saturno) são excelentes candidatos ao Nobel deste ano. Leia mais na edição impressa do Correio Braziliense.

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