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Correio Braziliense

Um dos maiores enigmas da física

 


postado em 08/10/2008 08:08 / atualizado em 08/10/2008 08:12

A teoria agraciada com o Nobel de Física é muito importante, pois ela explica que, durante a formação do universo -- no momento do Big Bang --, matéria e antimatéria foram produzidas em quantidades iguais e que uma deveria anular a outra; de outra forma, o universo não teria existido. No entanto, não foi isso o que aconteceu: ocorreu um pequeno desvio de uma partícula suplementar de matéria para cada 10 bilhões de partículas de antimatéria. Foi essa descoberta da ruptura espontânea de simetria por Nambu que permitiu que o nosso universo sobrevivesse. O prêmio foi concedido ao físico Nambu exatamente em virtude dessa descoberta do mecanismo da ruptura espontânea da simetria na física subatômica. Seus trabalhos forneceram a base para a teoria do modelo padrão, que procura descrever as partículas elementares durante a formação do universo. Logo depois do Big Bang, há 14 bilhões de anos.

Ronaldo Rogério de Freitas Mourão
Ronaldo Rogério de Freitas Mourão
Por outro lado, os dois outros pesquisadores japoneses, Kobayashi e Maskawa, explicaram que a ruptura de simetria no modelo padrão pressupunha a existência de três famílias de quarks na natureza. Desse modo, eles previram a existência de dois novos tipos de quarks: bottom e top, detectados posteriormente em 2001 por detectores de partículas nos EUA e no Japão, o que confirmou a descoberta dos dois novos tipos de partículas previstas três decênios antes. Para melhor compreender a importância das descobertas desses três pesquisadores japoneses, é conveniente lembrar que a formação da matéria no universo existia sob a forma de uma sopa densa e quente, chamada de plasma quarks-glúons. Foi logo após o Big Bang, durante o desaquecimento do universo, que as partículas (quarks) se aglutinaram em prótons, nêutrons e outras partículas. A grande questão para explicar os primeiros momentos do Big Bang era a simetria, que constitui um dos grandes enigmas da física. Agora solucionada pelos três Nobel japoneses. Ronaldo Rogério de Freitas Mourão é astrônomo e fundador do Museu de Astronomia e Ciências Afins do Rio de Janeiro e autor de 70 livros

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