O ex-ditador argentino Jorge Videla, de 82 anos, foi transferido nesta sexta-feira (10) para uma prisão militar, ao perder o benefício da detenção domiciliar como parte dos processos que o envolvem em crimes contra os direitos humanos e roubo de bebês durante a última ditadura (1976-1983).
Videla, um ex-general e figura emblemática do regime sangüinário que assolou o país durante sete anos, é apontado judicialmente por 1.500 casos de terrorismo de Estado, entre eles centenas de seqüestros e 30 homicídios.
O militar, que comandou o golpe de Estado que derrubou a presidenta Isabel Perón (1974-1976), está envolvido, além disso, numa investigação de troca de identidade de 500 bebês, filhos de prisioneiros políticos, nascidos em cativeiro.
"A prisão (militar) de Campo de Mayo (periferia oeste) conta com o equipamento, a infra-estrutura e o pessoal necessário para atender a qualquer emergência médica", do detido, que gozava antes do benefício concedido a pessoas com mais de 70 anos, disse o juiz Noberto Oyarbide.
Videla havia sido condenado por um tribunal civil à prisão perpétua, mas foi indultado em 1990 pelo ex-presidente Carlos Menem (1989/99) - uma decisão considerada inconstitucional pela Justiça em 2007, numa sentença judicial ainda não confirmada pela Corte Suprema.