Pelo menos dois soldados cambojanos foram mortos em confronto com tropas da Tailândia em uma área da fronteira disputada pelos dois países, informou o governo do Camboja. O ministro de Relações Exteriores cambojano, Hor Namhong, afirmou que além dos dois mortos havia dois soldados feridos.
No entanto, representantes dos dois lados em conflito apressaram-se em relativizar a importância do episódio e defenderam a busca por uma solução pacífica para o desentendimento bilateral.
Os dois países discordam sobre quem tem o direito de posse de uma área perto do templo cambojano de Preah Vihear, nomeado pela Unesco em julho como Patrimônio da Humanidade. A Tailândia teme que a decisão possa prejudicar sua reivindicação pela posse de uma área próxima ao templo.
Segundo Namhong, houve uma troca de tiros nesta quarta-feira (15/10) que durou menos de uma hora. O local do confronto entre soldados dos dois países é próximo ao templo de Preah Vihear. As mortes de hoje foram as primeiras em quatro meses de tensão na região.
O major cambojano Prum Saroeun disse ainda que cerca de 20 tailandeses foram presos. Um porta-voz do Exército tailandês, Sansern Kaewkumnerd, disse apenas que havia cinco soldados da Tailândia feridos. Os dados não podiam ser confirmados por uma fonte independente.
Os dois lados acusam-se mutuamente com relação a quem disparou o primeiro tiro. De acordo com Sansern, a violência começou quando soldados cambojanos aproximaram-se de uma base tailandesa e recusaram-se a abandonar o local.
Horas depois, no entanto, representantes dos dois países prometeram buscar uma solução pacífica para a crise. O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, declarou-se hoje "profundamente preocupado" com a situação.