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Correio Braziliense

Sucessão nos EUA: aposta na Flórida

Barack Obama e John McCain focam as atenções no estado que concentra 27 dos 270 votos para a vitória no Colégio Eleitoral. Brasileiros falam sobre a disputa e revelam preferência pelo democrata


postado em 30/10/2008 07:53 / atualizado em 30/10/2008 07:59

O norte, mais rural, pende para o republicano John McCain. O sul, urbanizado, apóia o democrata Barack Obama. Os cubanos defendem o homem que pode se tornar o primeiro veterano da Guerra do Vietnã na Casa Branca. Brasileiros e venezuelanos simpatizam com o candidato negro que pretende fazer história na Presidência dos Estados Unidos. Esse é o quadro político da Flórida — no estado, chamado de campo de batalha por não ter tendência clara de vitória, estarão em disputa na terça-feira 10% de todos os 270 votos necessários para a eleição do próximo comandante-em-chefe norte-americano. Diante da importância da região, os candidatos decidiram afiar a retórica e tentar conquistar os eleitores ainda indecisos. “Precisamos ganhar na Flórida”, disse McCain, que usou a crise global como elemento para atrair votos. “A resposta para uma economia em desaceleração não são impostos mais altos, mas isso é exatamente o que vai acontecer quando os democratas tiveram controle total de Washington. Não podemos deixar que isso ocorra”, alertou, durante um comício em Miami. E disparou: “O senador Obama está concorrendo para distribuir a riqueza. Eu estou concorrendo para criar mais riquezas”. A retórica do republicano contrastava ontem com a atitude do adversário. Brasileiros que moram na Flórida explicam seu voto Enquanto McCain falava de economia, tentava conquistar o eleitorado cubano ao citar o risco de socialismo e distribuía apertos de mãos a empresários, Obama agarrava-se ao principal mote de sua campanha, a mudança. Antes de viajar para a Flórida, o democrata alfinetou o adversário em Raleigh (Carolina do Norte). “No final da semana, ele estará me acusando de ser um comunista porque eu dividia meus brinquedos no jardim de infância”, ironizou Obama. Hispânicos Mesmo republicana, a cientista política June Teufel Dreyer, da Universidade de Miami, admite à reportagem que Obama deve ganhar na Flórida, ao atrair os votos da maior parte dos hispânicos. “Os anúncios da campanha democrata são mais persuasivos e o retratam como a pessoa mais capaz de lidar com os aumentos nos custos da saúde e com as execuções de hipotecas”, explicou. Para ela, quem perder na Flórida e não obtiver estados com muitos votos eleitorais amargará a derrota. “McCain já cedeu Michigan”, advertiu. Uma pesquisa divulgada ontem pela Universidade de Quinnipiac mostra o senador democrata com 47% das intenções de votos, apenas dois pontos percentuais a mais que McCain — a última sondagem, sete dias atrás, apontava uma vantagem de cinco pontos para Obama. Já os números da pesquisa Los Angeles Times/Bloomberg News indicam uma vitória de Obama, por 50% a 43%. Entre os brasileiros, o clima é de empolgação. O carioca Sérgio Jatobá, de 31 anos, morador de Boca Raton desde dezembro de 2001, contou ao Correio que votou em Obama assim que as seções eleitorais foram abertas, em 20 de outubro. “É extremamente excitante poder participar desse processo, especialmente quando você se sente realmente conectado ao seu candidato”, afirmou o bombeiro. Na opinião dele, Obama entende que a força de um país depende da classe média. “Ele tem um plano muito melhor para saúde, educação, direitos civis e liberdades individuais.” Ainda hoje, o técnico em informática Marco Flávio Paiola, de 40 anos, e a mulher Helena, de 44, depositarão seu voto em Miami. “Votarei em Obama por ele prometer um governo estável, semelhante ao do ex-presidente Bill Clinton”, disse. Essas eleições representam muito para esse paulistano. “Os Estados Unidos ofereceram a mim e à minha mulher a oportunidade de crescimento. Ao votar hoje, contribuirei para que que o país continue me propiciando esse bem-estar”, comentou. Helena, por sua vez, sente satisfação por escolher o primeiro presidente negro dos EUA. “Obama é mais inteligente, tem as melhores propostas e me parece mais liberal do que McCain”, elogiou. No sábado será a vez de o paranaense Ademir Monaro, de 44 anos, participar do processo democrático. “Em minha primeira eleição aqui, escolherei Obama. Ele demonstrou que vai auxiliar os imigrantes ilegais.”

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