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Milhares de pessoas fogem de conflito no leste do Congo

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Kibumba, Congo - Milhares de pessoas fugiram de suas casas nesta sexta-feira (31/10) no leste do Congo. Os refugiados aproveitavam um cessar-fogo unilateral declarado pelos rebeldes para tentar deixar a linha de frente dos confrontos ocorridos nesta semana. "Nós não temos nada para comer há três dias", disse Rhema Harerimana, que fugia havia quatro dias. Ela seguia hoje para Kibumba, 28 quilômetros distante de Goma, capital provincial. "Não há abrigo, não há comida. Minha única chance é ir para casa." Goma está cercada pelos rebeldes do general renegado Laurent Nkunda. O general iniciou uma rebelião há três anos, argumentando que o governo de transição democrática do Congo marginalizou a etnia tutsi. Apesar de firmar um cessar-fogo mediado pela Organização das Nações Unidas (ONU) em janeiro, ele retomou os combates em agosto. Nkunda alega que o governo congolês não protegeu os tutsis das milícias hutus de Ruanda, quando aqueles fugiram após o massacre de meio milhão de tutsis em 1994. O governo do Congo já indiciou Nkunda por crimes de guerra. A organização não governamental Human Rights Watch afirma já ter documentado casos de tortura, execuções sumários e estupros cometidos por soldados comandados por Nkunda, entre 2002 e 2004. Porém, os grupos de direitos humanos também acusam o governo de atrocidades e saques. O cessar-fogo declarado na noite de anteontem parecia valer hoje. Nkunda disse que declarou a medida para permitir a chegada do auxílio humanitário e para que os refugiados pudessem ir para casa. Porém, havia relatos de rebeldes impedindo a circulação de médicos pela região. O presidente congolês, Joseph Kabila, eleito em 2006 na primeira eleição no país em 40 anos, luta para conter a sangrenta insurgência. O líder rebelde disse ontem que deseja negociar diretamente com o governo.