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Correio Braziliense

África Austral pede governo de unidade no Zimbábue

 


postado em 09/11/2008 22:03 / atualizado em 09/11/2008 22:06

JOHANNESBURGO - A Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC) pediu ao poder e à oposição no Zimbábue que formem um governo de unidade e compartilhem o importante ministério do Interior, do qual depende a poderosa polícia do país, informou neste domingo o diretor do bloco, Tomaz Salomão. O diretor da SADC declrou que a cúpula de emergência do bloco realizada neste domingo na localidade sul-africana de Johannesburgo defendeu a formação imediata de um governo de união no Zimbábue. O presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, e o líder da oposição, Morgan Tsvangirai, acertaram formar um governo de unidade há dois meses, mas esse acordo se encontra paralisado devido as disputas sobre a divisão dos ministérios, principalmente o do Interior. Salomão acrescentou que a cúpula pediu às duas partes que nomeiem dois ministros para compartilhar essa pasta. Os países da África Austral também se disseram dispostos a enviar, se necessário, tropas de manutenção da paz à República Democrática do Congo (RDC), atualmente assolada por conflito entre o exército e rebeldes. "A SADC, da qual faz parte a RDC, não ficará de braços cruzados ante atos de destruição e violência cometidos contra qualquer grupo, seja qual for. Se necessário,a SADC enviará tropas de manutenção da paz a Kivu Norte (leste da RDC)", afirmou ainda Salomão lendo à imprensa o comunicado final da cúpula extraordinária. O Exército congolês e insurgentes de Laurent Nkunda voltaram a se enfrentar violentamente neste domingo em Ngungu, localidade do leste da República Democrática do Congo (RDC) situada no limite entre as províncias do Norte e Sul-Kivu, informaram fontes da ONU. Ngungu fica 60 km a oeste de Goma, a capital da província de Norte-Kivu, "leste da porta de entrada para o Sul-Kivu". Já o porta-voz da rebelião, Bertrand Bisimwa, afirmou em Kinshasa que não estava sabendo destes novos enfrentamentos. Os combates deste domingo são os primeiros desde o apelo de "cessar-fogo imediato" lançado sexta-feira durante a cúpula internacional de Nairobi sobre o conflito no leste da RDC, um pedido totalmente ignorado pelos rebeldes locais. Esta guerra provoca um desastre humanitário. Pelo menos 250.000 pessoas foram obrigadas a abandonar suas casas e pegar a estrada no fim de agosto devido aos combates. Elas precisam de ajuda humanitária, que está em parte paralisada pela continuidade das hostilidades.

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