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Correio Braziliense

Ligação para Lula

Barack Obama retribui telefonema do presidente, elogia a "liderança mundial" do Brasil, em particular na busca de soluções para a crise financeira global. E promete visita "na primeira oportunidade"


postado em 12/11/2008 06:00 / atualizado em 12/11/2008 07:52

O presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, telefonou por volta das 20h de ontem para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para retribuir a mensagem de felicitações que recebera pela sua vitória na última quarta-feira. Na conversa, que durou cerca de 15 minutos, Obama ressaltou a "liderança mundial" exercida pelo Brasil e reafirmou a disposição de aprofundar a cooperação na área de energias renováveis, em especial os biocombustíveis. Lula, primeiro governante sul-americano a conversar com o sucessor de George W. Bush, convidou-o eleito a visitar o país, e recebeu em resposta a promessa de que ele virá "na primeira oportunidade", pela "importância" que atribui ao país. "O presidente e o ministro Celso Amorim ficaram muito bem impressionados com o conhecimento que Obama demonstrou ter sobre o Brasil", segundo fonte do Itamaraty. O presidente eleito classificou o país como "um líder no cenário mundial", com uma contribuição "importante" a oferecer na cúpula deste fim de semana, em Washington, onde chefes de Estado e governo do G-20 (as principais economias do mundo), se reunirão para discutir soluções para a crise financeira global. Obama se disse favorável a incluir os países emergentes na discussão sobre a crise, ponto sobre o qual teria insistido nas conversar que teve com Bush em torno do tema. Lula e o futuro chefe de Estado americano não se encontrarão durante a cúpula, pois o presidente eleito não comparecerá à reunião — fiel ao espírito de que os EUA "têm um presidente por vez", como disse e repetiu em sua primeira coletiva depois de confirmada a vitória. Obama realçou ainda "a importância e os esforços do governo brasileiro para promover o desenvolvimento econômico" e elogiou em particular os programas sociais e de combate à pobreza. Manifestou "muito interesse" pelos projetos brasileiros na área de energias renováveis e reafirmou a determinação de aprofundar a cooperação bilateral na área de biocombustíveis. No início de 2007, durante visita do presidente Bush, Brasil e EUA assinaram um memorando de intenções sobre o desenvolvimento do etanol e do biodiesel na América Central e Caribe, em cooperação triangular. O Haiti, onde tropas brasileiras comandam a Força de Estabilização das Nações Unidas (Minustah), é um dos países escolhidos para iniciativas-piloto, mas desde então o progresso tem sido desigual, com vários países ainda em fase inicial de estudos. Durante a campanha, Barack Obama propôs estabelecer um programa de 10 anos para a renovação da matriz energética, com dotação prevista de US$ 150 milhões. Parceiros estratégicos De acordo com o Itamaraty, o presidente Lula manifestou o desejo de manter com o presidente eleito "a mesma boa relação" cultivada com Bush nos últimos seis anos. O presidente brasileiro ressaltou "o bom estado das relações" bilaterais, uma "parceria estratégica", e manifestou interesse em aprofundar as negociações sobre três temas: a América Latina; a abertura do comércio internacional, em particular a urgência de concluir a Rodada de Doha; e o fortalecimento da Organização das Nações Unidas, em especial a ampliação do Conselho de Segurança, onde o Brasil aspira a uma vaga permanente. No fim da conversa, Obama lembrou a Lula que teve "um professor brasileiro" na prestigiada Universidade de Harvard. Foi uma referência ao ministro de Assuntos Estratégicos, Roberto Mangabeira Unger, que se referiu ao ex-aluno como "um jovem com atributos de chefe de Estado".

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