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Correio Braziliense

Os líderes comunistas

 


postado em 21/11/2008 07:00 / atualizado em 20/11/2008 23:19

Karl Marx (1818-1883) Filósofo e economista alemão, de origem judaica, diagnosticou os males do capitalismo liberal de sua época e desenvolveu, a partir desse estudo, uma teoria política, econômica e social que seria batizada como materialismo histórico e dialético. Conceitos chave: a mais-valia extraída pelo capital ao trabalho; a luta de classes como “motor da história”; o socialismo como “necessidade histórica” para substituir o capitalismo. Obras principais: Manifesto do Partido Comunista (1848), O Capital (1867, primeiro volume). Friedrich Engels (1820-1895) Parceiro intelectual de Marx e por vezes seu arrimo financeiro, era filho de um rico industrial alemão. Além de co-autor das principais obras marxistas, estendeu a aplicação do materalismo dialético a terrenos das ciências, em especial à antropologia. Entre os escritos exclusivamente seus destacam-se: A origem da família, da propriedade privada e do Estado (1884) e Do socialismo utópico ao socialismo científico (1890). Vladimir Ilich Lênin (1870-1924) Revolucionário russo, tornou-se adepto de Marx e Engels nos últimos anos do século 19 e desenvolveu as teorias para a transição ao socialismo em países de economia pré-capitalista, como a Rússia dos czares. Preso e desterrado para a Sibéria, trocou o sobrenome de família (Ulianov) pelo codinome Lênin, partiu para o exílio na Europa ocidental e, de lá, assumiu a liderança da facção blochevique (majoritátia, em russo) do velho Partido Operário Social Democrata da Rússia. Retornou em 1917 para comandar a revolução comunista de 7 de novembro (25 de outubro, no antigo calendário juliano). Foi o primeiro líder da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), mas ficou praticamente paralisado pelas seqüelas de um atentado sofrido em 1921 e não pôde evitar a luta pela sucessão. Josef Stalin (1879-1953) O georgiano Iossif Vissarionovich Djugashvili, filho de sapateiro, ingressou adolescente nos círculos marxistas e, como Lênin, amargou anos de desterro na Sibéria. Ao contrário do “mestre” — e também do principal rival, Leon Trotsky —, foi mais um dirigente da máquina partidária do que um líder de massas. Orador medíocre, tampouco deixou uma obra teórica significativa. Com a morte de Lênin, impôs-se a Trotsky e encaminhou a URSS pelo caminho do “socialismo em um só país”, em contraposição à “revolução permanente” defendida pelo rival. Eliminou metodicamente os adversários e submeteu o Partido Comunista e o regime a uma ditadura pessoal. Um dos vencedores da 2ª Guerra Mundial (1939-1945), ao lado de Roosevelt (EUA) e Churchill (Reino Unido), criou o bloco socialista da Europa Oriental e entrou com os EUA na Guerra Fria, a partir de 1948. Morreu em 1953 e, três anos depois, foi publicamente denunciado como “criminoso” pelo sucessor, Nikita Krushev. Leon Trotsky (1879-1940) Um dos oradores mais brilhantes entre a geração que liderou a Revolução Russa, Lev Dadidovich Bronstein teve papel central na insurreição de novembro de 1917, quando presidia o soviete (conselho de deputados operários e soldados) de Petrogrado (depois rebatizada como Leningrado e hoje novamente São Petersburgo, como na era czarista). Na guerra civil que se seguiu à tomada do poder pelos comunistas, criou e comandou o Exército Vermelho. Cotado como provável sucessor de Lênin, defendia a exportação da revolução comunista para toda a Europa. Derrotado por Stalin, escapou da execução mas teve de se exilar, inicialmente na França. Perseguido pela polícia política stalinista, refugiou-se no México, onde foi assassinado a golpes de picareta pelo militante comunista Ramón Mercader — a mando do ditador soviético. Mao Tsé-tung (1893-1976) Líder da Revolução Chinesa (1949), adequou as teorias de Marx e Engels para um país não apenas agrário e semifeudal, mas com profundos resquícios do colonialismo. Sua contribuição teórica e prática ao desenvolvimento do marxismo começa pelo modelo da guerrilha rural, de base camponesa, sob o conceito da guerra popular prolongada. No poder, Mao alternou iniciativas de inspiração soviética, como a industrialização forçada na campanha do Grande Salto à Frente (1957-1959), com a subversão completa de princípios basilares, caso da virtual dissolução do Partido Comunista durante a Revolução Cultural (1966-1976). Nos anos finais de sua vida, abandonou a extrema esquerda, representada pela Guarda Vermelha, e restaurou a autoridade do PC. Seu sucessor, Deng Xiaoping, deu início às reformas que incorporaram ao sistema elementos capitalistas, sem tocar no monopólio do poder político. Cronologia 1848 Marx e Engels publicam o Manifesto do Partido Comunista e lançam o lema: “Proletários de todos os países, uni-vos!” 1871 Revolucionários franceses instauram a Comuna de Paris, primeira (e breve) experiência de governo socialista. 1917 Lênin lidera os comunistas russos na conquista do poder. O regime se consolida e dá origem à União Soviética. Nos meses e anos seguintes, insurreições comunistas são esmagadas na Áustria, Hungria e Alemanha. 1924 Morte de Lênin, que é sucedido por Stalin. 1945-48 Vitoriosa na Segunda Guerra, a URSS implanta regimes-satélites no Leste Europeu. 1949 Mao Tsé-tung comanda a vitória dos comunistas na guerra civil contra os nacionalistas chineses. 1956 Três anos após a morte de Stalin, o novo líder da URSS, Nikita Krushev, denuncia os crimes do ditador. 1959 Guerrilheiros comandados por Fidel Castro depõem o ditador Fulgêncio Batista, em Cuba. Dois anos depois, em rota de colisão com os EUA, Fidel proclama o caráter socialista da revolução e oficializa o primeiro regime comunista no Ocidente. 1985 O reformista Mikhail Gorbachov assume o poder na URSS e inicia uma reestruturação econômica e política do país, reduzindo a burocracia e relaxando os controles sobre a imprensa. 1989-1991 Onda de protestos da sociedade civil força a Alemanha Oriental a abrir o Muro de Berlim, símbolo da divisão do mundo na Guerra Fria. Nos meses que se seguem, caem os regimes comunistas do Leste Europeu e a própria URSS é extinta.

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