Mundo

Hillary e Gates podem ser o núcleo da equipe de segurança de 'Obama

;

postado em 29/11/2008 17:40
Washington - O presidente eleito Barack Obama, que já anunciou os nomes principais de seu estado-maior econômico, deverá fazer o mesmo com a futura equipe de segurança nacional, que poderia ter como núcleo Hillary Clinton, no Departamento de Estado, e Robert Gates, no da Defesa. Sem revelar oficialmente a identidade dos interessados, a equipe de transição do futuro ocupante da Casa Branca deixa a entender que importantes nomeações podem ser anunciadas a partir de segunda-feira, durante a próxima entrevista à imprensa de Obama. Hillary Clinton, grande rival de Barack Obama nas primárias do Partido Democrata às eleições presidenciais, deverá suceder à Condoleezza Rice neste prestigiado posto. Paralelamente, a manutenção no cargo atual do secretário de Defesa Robert Gates estaria "já decidida", segundo a rede de televisão ABC. Segundo outros grandes meios de comunicação americanos, Gates permaneceria no Pentágono durante o primeiro ano de poder de Obama, que tomará posse no dia 20 de janeiro, ficando encarregado de concretizar a promessa democrata de retirar as tropas americanas do Iraque. Será a primeira vez que um secretário de Defesa fará parte da equipe de governo de um outro partido. Segundo a imprensa americana, Gates, 65 anos, poderá ocupar o posto temporariamente antes de ceder o lugar ao ex-secretário da Marinha Richard Danzig, atual conselheiro militar de Barack Obama. Entre as outras designações pressentidas figura a do general James Jones, um ex-comandante da Otan, para o cargo de conselheiro da segurança nacional, segundo o site Politico.com. A mesma fonte aponta Susan Rice, uma assessoria ligada a Obama em matéria de política externa, como embaixadora na ONU, enquanto que o almirante (da reserva) Dennis Blair irá para a informação americana. Obama "se cerca de personalidades fortes", declarou David Axelrod, que será o futuro conselheiro do presidente na Casa Branca. Mas "há uma só pessoa que estará encarregada de toda a política do governo e esta pessoa é o presidente dos Estados Unidos. Isto vale para a economia, e vale também para as Relações Exteriores". Em relação à possibilidade de escolha de Hillary, o ex-presidente americano Bill Clinton já se ofereceu para submeter as próprias atividades a uma revisão ética e identificar os doadores da fundação que leva o seu nome, caso a esposa seja indicada como secretária de Estado, como forma de sanar eventuais conflitos de interesse. O ex-presidente também solicitará a autorização do governo de Obama antes de aceitar compromissos de participação paga em seminários ou futuras doações para sua biblioteca presidencial e a fundação Clinton Global Initiative. Os analistas fazem todo o tipo de especulações sobre a possibilidade da nomeação de Hillary, figura política influente e que há pouco tempo qualificava de "ingênua" a proposta de Obama de negociar sem condições com o Irã. Agora, poderá ser ela mesma a responsável em preparar o degelo das relações com Teerã. "Clinton quer ser tão transparente quanto deseja a equipe de Obama", afirmou uma fonte. Apesar da contundência política da ex-primeira-dama e candidata a presidência, os analistas consideram que Obama poderá manter um controle firme da situação se a nomear para o comando da diplomacia americana. "Obama é uma pessoa suficientemente segura de suas capacidades para não temer a entrada de uma antiga rival em seu gabinete", afirmou Andrew Bacevich, professor de Relações Internacionais na Universidade de Boston. "Nas últimas administrações, o centro de poder em política externa se concentrou na Casa Branca, que teve preponderância no momento de coordenar as diferentes agências governamentais para enquadrar a postura dos Estados Unidos frente ao mundo", acrescenta. Alguns comentaristas se perguntam qual a razão de Obama querer incluir Hillary em seu governo, diante das turbulências que ainda existem entre seus partidários. O professor Bacevich considera que a senadora por Nova York é uma líder com uma visão tradicional que poderia reorientar as relações externas depois da tumultuada era Bush, mas que de maneira alguma isto mudará a ortodoxia diplomática dos Estados Unidos. Obama sabe que Hillary tem a reputação de ser mais partidária da linha dura que ele e, por este motivo, pode representar uma cartada para executar políticas controversas, como uma aproximação com o Irã. Além disso, em meio à crise financeira, ter alguém com a inteligência e a estatura de Hillary para representá-lo diante do mundo pode ser uma idéia atraente. "Hillary supera o restante dos candidatos ao posto", afirma David Rothkopf, especialista em segurança nacional. "Tem uma estatura internacional. Será capaz de dialogar diretamente com o presidente e expressar-se com eficácia para tornar-se sua melhor advogada no cenário internacional", acrescenta. Atualmente, a equipe de transição de Obama está investigando os antecedentes e as finanças do casal Clinton para ver se existem impedimentos à nomeação. Alguns analistas consideram que há mais cálculos em jogo. "Hillary Clinton terá muitas dificuldades para criticar a administração Obama se fizer parte dela", opina Costas Panagopoulos, da Universidade de Fordham, que já trabalhou na equipe da senadora por Nova York.

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação