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Correio Braziliense

Mugabe rejeita pressões para renunciar

 


postado em 09/12/2008 07:44 / atualizado em 09/12/2008 07:52

HARARE - O presidente Robert Mugabe, sob forte pressão dos países ocidentais para renunciar, voltou a acusar Grã-Bretanha e Estados Unidos de planejarem uma invasão ao Zimbábue. O porta-voz da presidência, George Charamba, acusou as nações ocidentais de tentar levar o Zimbábue ao Conselho de Segurança da ONU sob a alegação de que o governo é incapaz de enfrentar a epidemia de cólera e a falta de alimentos. "Os britânicos e americanos estão decididos a levar o Zimbábue novamente ao Conselho de Segurança das Nações Unidas", declarou Charamba ao jornal estatal The Herald. "Estão decididos a conseguir que aconteça uma invasão do Zimbábue, mas sem executá-la eles mesmos. Nestas circunstâncias, não vão parar diante de nada", acusou. Os países da União Européia (UE) intensificaram a pressão diplomática sobre o governo do Zimbábue, ampliando as sanções contra Mugabe. O presidente da França, Nicolas Sarkozy, que exerce a presidência semestral do bloco, se uniu às vozes que pedem a saída de Mugabe. A Grã-Bretanha, antiga potência colonial do Zimbábue, lidera a campanha internacional a favor da renúncia de Mugabe, que está há 28 anos no poder. O Zimbábue, que tem a economia devastada, enfrenta uma grave crise política desde as polêmicas eleições deste ano. Um acordo de divisão do poder com a oposição está paralisado por divergências sobre a atribuição de ministérios importantes. Estados Unidos e países africanos como Botsuana e Quênia também defendem a renúncia de Mugabe, mas muitas nações vizinhas do Zimbábue mantêm silêncio ou apostam no sucesso das negociações de divisão do poder. Para tornar a situação ainda mais complexa, uma epidemia de cólera que já matou 600 pessoas supera os recursos dos hospitais zimbabuanos, que não têm equipes nem remédios suficientes para tratar os pacientes. Os médicos afirmam que o número de vítimas pode ser maior, enquanto o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) alerta que 60 mil novos casos de cólera podem ser anunciados nas próximas semanas.

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