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Correio Braziliense

Gene indica preferência por alimento calórico

 


postado em 12/12/2008 07:36 / atualizado em 12/12/2008 07:45

Pizza, sanduíche, cachorro-quente, chocolate. No topo da preferência entre cidadãos de países ocidentais, os alimentos calóricos também são responsáveis pela epidemia de obesidade que atinge 1 bilhão de adultos. Cientistas escoceses descobriram que o consumo desses produtos está além do simples gosto. Tem razões genéticas. Uma variante do gene FTO leva as pessoas a comerem 100 calorias a mais em cada refeição. Também as incita a escolher alimentos com mais açúcar e gordura, e a rejeitar opções mais saudáveis. A conclusão, publicada na revista científica New England Journal of Medicine e liderada por Colin Palmer — diretor de farmacogenômica do Instituto de Pesquisas Biomédicas da Universidade de Dundee —, partiu de uma análise da dieta de 100 crianças entre 4 e 10 anos e da medição do metabolismo, adiposidade (distribuição de gordura), freqüência de exercícios físicos e comportamentos alimentares. Palmer e sua equipe ofereceram uma refeição para os alunos na escola, que incluía presunto, queijo, bolachas, frituras, passas, uva, pepino, cenoura, chocolate, água, suco de laranja e pão. Os cientistas anotaram os alimentos que permaneceram em cada bandeja e repetiram a experiência por três vezes. Eles não encontraram impactos da variante genética sobre a saciedade, mas detectaram um aumento na ingestão de calorias a partir de um maior consumo de alimentos mais gordurosos. “Esse trabalho demonstra que esse gene não leva à obesidade sem o ato de comer em excesso e sugere que a obesidade pode ser modulada por um cuidadoso controle da dieta”, disse o pesquisador escocês. Potencial Em entrevista ao Correio, Amélio Godoy Matos, presidente do Comitê Internacional da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), afirma que a ciência já conhecia o componente genético de propensão à obesidade. “A obesidade é uma doença gênica, e tem vários genes conspirando em seu favor”, comentou. “As pessoas com essa variante tendem a comer mais, não em quantidade, mas a procurar comidas mais calóricas”, acrescentou. De acordo com ele, a pesquisa de Palmer pode revelar que o gasto de energia é menor em pessoas que detenham essa variante. Os especialistas crêem que o estudo também possa auxiliar na elaboração de uma dieta adequada a portadores da variante do FTO. “O que estamos fazendo com esse trabalho é decifrando os velhos mitos que ainda são disseminados em relação à obesidade: ‘Eu tenho ossos grandes’ ou ‘Eu tenho um metabolismo lento’ ou ainda ‘Isso está nos meus genes”, comentou Palmer. “Em sua maior parte, a obesidade é associada a frágeis tendências genéticas, capazes de ser modificadas por meio de dieta e exercícios físicos”, concluiu. O próximo passo do estudo deve ser explorar melhor o funcionamento dos genes.

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