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Ásia ainda cura feridas do grande tsunami

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postado em 25/12/2008 10:07
Quatro anos atrás, quando a balsa Tanjung Burang se aproximou da costa de Banda Aceh, na Indonésia, Helmi Bunthok olhou em direção à margem e não acreditou no que viu. ;Assim que a terra tremeu, percebi que uma das montanhas havia caído;, contou ao >b>Correio, pela internet. O capitão da embarcação afirmou que seria impossível desembarcar na cidade de 390 mil habitantes e a balsa aportou em Sabang, 17km ao norte. ;Sabang estava arruinada, casas e mercados ficaram destruídos;, afirma. Ele só conseguiu chegar a Banda Aceh uma semana depois. Em Mayabunder, nas ilhas indianas de Andaman do Norte, tudo o que o hoteleiro Pramod Singh, de 38 anos, queria naquela manhã era aproveitar o feriado paras dormir. ;Tivemos uma noite de festa e eu estava dormindo. Por volta das 6h20 (23h20 do dia anterior, em Brasília), acordei com um barulho vindo da terra, como se duas rochas estivessem sendo esfregadas uma contra a outra;, lembra. ;Vimos que o mar começou a vir para dentro da cidade, como se fosse um rio, correndo em uma só direção.; Do jardim do hotel, localizado numa colina, 12m acima do nível do mar, Singh assistiu ao oceano invadindo a cidade, situada a 250km da capital, Port Blair, e devastar o porto. O tsunami de 26 de dezembro de 2004, uma das maiores tragédias naturais da história, ainda hoje deixa seqüelas psicológicas, físicas e humanas. Milhares de corpos continuam desaparecidos, talvez arrastados para sempre para as profundezas do mar. O trabalho de reconstrução avança com mais rapidez na Tailândia, onde morreram cerca de 5.300 pessoas, entre elas 2 mil estrangeiros. As autoridades ainda não encontraram os corpos de outros 2.900 moradores e turistas. Na Indonésia, foram 131 mil mortos e 37 mil desaparecidos. O Sri Lanka e a Índia contabilizaram, respectivamente, 35 mil e 12 mil mortes. Reconstrução Jerry Talbot, representante especial para a Operação Tsunami da Federação Internacional da Cruz Vermelha (IFRC) e Sociedades do Crescente Vermelho, contou, por e-mail, que a maior parte da estrutura física destruída se localizava nas seis províncias litorâneas ao longo da costa de Andaman, na Tailândia. O governo tailandês destinou US$ 1 bilhão para a resposta emergencial ao desastre e a recuperação de longo prazo das áreas afetadas. A fim de facilitar o trabalho de reconstrução e acelerar os projetos de moradia, foi montado um comitê de capitalização de verbas. ;Com essas ações nas comunidades locais atingidas, e com investimento privado no setor turístico, a infra-estrutura física foi reconstruída de modo rápido;, explica o autor do Relatório sobre os progressos após quatro anos do tsunami. Organizações humanitárias, como a IFRC, têm se focalizado em complementar os esforços de resposta dos governos às catástrofes. ;Uma vila inteira foi reconstruída na província de Phang-Nha. Pelo menos 30 abrigos foram erguidos na mesma região para pessoas acometidas de extremo estresse emocional;, afirma Talbot. De águas turquesas, o famoso resort de Khao-Lak, 80km ao norte de Phuket, foi um dos mais devastados. ;Fornecemos botes aos pescadores e apoiamos a montagem de cooperativas de pesca;, lembra. Além de reequipar hospitais e fornecer sistemas de saneamento, a IFRC e outras organizações não-governamentais providenciam sistemas de detecção de tsunamis e treinam voluntários para responderem de forma imediata a desastres. A recuperação das moradias arrastadas pelas ondas depende da situação econômica e da estabilidade de cada país. A situação tem sido mais crítica no Sri Lanka, onde o conflito com a guerrilha dos Tigres do Tâmil Eelam suspendeu vários projetos sociais. Para piorar, uma enchente no norte do país atrapalhou os esforços de reconstrução. ;O tsunami deixou muitas famílias destroçadas. As vidas dessas pessoas talvez jamais sejam completamente restauradas;, admite Talbot.

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