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Correio Braziliense

Sem limites para Chávez

Referendo aprova a reeleição consecutiva a cargos do Executivo


postado em 16/02/2009 07:30 / atualizado em 16/02/2009 12:09

O caminho para as reeleições consecutivas do presidente venezuelano, Hugo Chávez, está aberto. A vitória incontestável no referendo de ontem levará à modificação de cinco artigos da Constituição de 1999, eliminando os limites de mandatos para o chefe de Estado e para todos os cargos majoritários. Em tese, o desejo de Chávez de permanecer no poder até 2021 agora só depende dos próprios eleitores. Por volta das 23h15h (hora de Brasília), o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) anunciou que o “sim” (pela reeleição indefinida) ganhou com 54,36% dos votos (6.003.544 eleitores) contra 45,63% para o “não” (5.040.082). O primeiro boletim oficial se baseava em 94,2% das mesas apuradas — a abstenção chegou a 32,95% (5,2 milhões) dos eleitores. Da sacada do Palácio de Miraflores, Chávez comemorou com simpatizantes e, pouco depois, fez o primeiro pronunciamento pela TV sobre o triunfo. “Ganhou a verdade contra a mentira, a dignidade da pátria contra os que negam a pátria”, disse. “De par em par, nós abrimos as portas do futuro.” Após dar seu voto na urna eletrônica, em uma seção instalada no Bairro 23 de Janeiro, Chávez reconheceu a importância do processo. “Venho com minhas filhas e netos, muito consciente ante o povo venezuelano de que aqui, hoje, está se decidindo o meu destino político. Para mim, como ser humano e soldado desta luta, é importante”, declarou. O venezuelano Miguel Tinker Salas, professor de História da América Latina do Pomona College — em Claremont (Califórnia) — e autor de O legado duradouro: petróleo, cultura e sociedade na Venezuela, afirma que o triunfo arrasador de Chávez concede ao governo um mandado para aprofundar o processo de transformações da revolução bolivariana. “Isso deve ocorrer, mas é claro que a crise econômica pode limitar essas mudanças.” Democracia O especialista assegurou que falar de ditadura não corresponde à realidade política da Venezuela. “Além de um sistema eleitoral, em meu país há liberdade de imprensa, de expressão e todas as outras características associadas à democracia”, lembrou. Em entrevista ao Correio, por telefone, de Caracas, o jornalista paulista Max Altman, de 71 anos, um dos 98 observadores internacionais do referendo, contou que o processo transcorreu na mais absoluta tranquilidade. “O povo votou com alegria, e o sistema foi muito rápido”, revelou o membro da Secretaria Nacional das Relações Internacionais do Partido dos Trabalhadores (PT). “O sistema eleitoral é absolutamente seguro, blindado e transparente, e não há possibilidade de fraude ou de qualquer desvio”, disse Altman, após visitar centros de votação em bairros populares e de classe média. Foram registrados casos isolados de falhas das urnas e houve 71 prisões, por porte de identidade falsa, destruição de material eleitoral, proselitismo político, resistência à autoridade e tentativa de voto duplo. Ouça: entrevista com Max Altman, observador brasileiro no referendo

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