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Hillary Clinton apoia dialogo com talibãs afegãos que rejeitam a violência

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postado em 31/03/2009 08:36
HAIA - A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, defendeu nesta terça-feira (31/03) as tentativas de reconciliação do governo afegão com os talibãs ou ex-integrantes da Al-Qaeda que rejeitarem a violência. "Devemos apoiar os esforços do governo do Afeganistão para separar os extremistas da Al-Qaeda dos talibãs que se uniram a suas fileiras não por convicção, e sim por desespero", afirmou a secretária de Estado americana. "De fato, este é o caso da maioria dos que lutam com os talibãs". "É preciso oferecer a eles uma forma honrosa de reconciliação e reintegração em uma sociedade pacificada, caso eles desejem abandonar a violência, romper com a Al-Qaeda e apoiar a Constituição", acrescentou. A chefe da diplomacia dos Estados Unidos fez as declarações na conferência internacional de Haia sobre o Afeganistão, que tem a participação de 90 países, organizações e observadores. A ex-primeira-dama americana apresentou em Haia a nova estratégia do governo de Barack Obama para o Afeganistão e não mencionou o Irã, que estava representado na conferência pelo vice-ministro das Relações Exteriores para Ásia e Pacífico, Mohammad Mehdi Ajundzade. O vice-chanceler iraniano afirmou no mesmo evento que a República Islâmica do Irã saúda as propostas de cooperação feitas pelos países doadores no Afeganistão e está disposta a participar nos projetos destinados a combater o tráfico de drogas, assim como nos de desenvolvimento e reconstrução no Afeganistão. Hillary destacou, no entanto, que os problemas afegãos não poderão ser solucionados sem a ajuda dos países vizinhos. "O tráfico de drogas, a generalização do extremismo violento, a gestão da água, a energia elétrica e a irrigação são desafios regionais que exigirão soluções regionais", afirmou. A secretária de Estado também homenageou o presidente afegão, Hamid Karzai, que segundo ela "tem desempenhado um papel dirigente muito importante para seu país", mas fez críticas à corrupção no governo afegão. "A corrupção é um câncer tão perigoso para nosso sucesso a longo prazo como a Al-Qaeda e os talibãs. Um governo que não aporta nada a seu povo se transforma no melhor instrumento de recrutamento dos terroristas", disse. Hillary Clinton sugeriu que a comunidade internacional envie ao Afeganistão especialistas em administração local para formar uma "nova geração de funcionários e administradores". Ao comentar as eleições presidenciais afegãs previstas para 20 de agosto, ela lembrou a importância de uma votação livre e justa, para a qual Washington concederá a Cabul uma ajuda de US$ 40 milhões. A nova estratégia dos Estados Unidos para o Afeganistão prevê um aumento da presença militar e civil, além de um papel chave ao vizinho Paquistão, que luta para derrotar a Al-Qaeda.

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