postado em 31/03/2009 12:57
DOHA - O presidente venezuelano, Hugo Chávez, acusou a Corte Penal Internacional (CPI) de ter sido incoerente por pedir a prisão do presidente sudanês Omar al-Bashir e não a de George W.Bush, e acusou sua colega chilena Michelle Bachelet de ameaçar a unidade sul-americana.
"Por que não ordenaram a captura de Bush? Por que não ordenaram a captura do presidente de Israel?", se perguntou Chávez, em referência à ordem de detenção emitida pela CPI, com sede em Haia, contra Bashir no dia 4 de março, por crimes de guerra e contra a humanidade em Darfur.
"Vão buscá-lo, ele é um genocida", disse Chávez referindo-se a Bush. A ordem de detenção contra Bashir "é um aberração jurídica e um desrespeito aos povos do terceiro mundo", acrescentou o mandatário venezuelano.
"Essa Corte não tem poder para tomar uma decisão de tal magnitude contra um presidente em exercício. Ah, mas fazem isso porque é um país africano e do terceiro mundo", proferiu.
Segundo a ONU, a guerra civil que desde 2003 assola a província sudanesa de Darfur (oeste), deixou cerca de 300 mil mortos, número que Cartum reduz para 10 mil. Os conflitos deixaram também 2,7 milhões de deslocados.
Chávez fez essas declarações à imprensa no início desta terça-feira (31/03), em sua chegada a Doha, onde é realizada a segunda cúpula desde 2005 entre os 22 países da Liga Árabe e os 12 da América do Sul.
No mesmo discurso, o presidente venezuelano acusou a presidente do Chile, Michelle Bachelet, de pôr em risco a unidade sul-americana por ter convidado Estados Unidos e Grã-Bretanha para a cúpula progressista de Viña del Mar. A presidente do Chile ocupa a Presidência da Unasul (União das Nações Sul-Americanas).
"Há alguns progressistas por aí que não entendo. Não é nada bom para a unidade da América do Sul quando a presidente do Chile convoca uma reunião com o vice-presidente dos Estados Unidos e com o primeiro-ministro britânico", Joe Biden e Gordon Brown. "Dois representantes dos impérios;, acrescentou o presidente venezuelano, referindo-se a Brown e Biden. "Creio que isso coloca em perigo a unidade sul-americana", insistiu Chávez.
Chávez referiu-se à Cúpula de Líderes do Progressismo que foi realizada no sábado em Viña del Mar e da qual também participaram os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva; da Argentina, Cristina Kirchner; e o presidente do governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero.
O presidente venezuelano iniciou em Doha uma viagem que o levará depois a Teerã, Japão e China. "Nos esperam em Pequim em 7 e 8 de abril", anunciou, confirmando a etapa chinesa.
Chávez disse que a Venezuela "apoia a proposta de Rússia e China de criar uma nova moeda" de referência que substitua o dólar.
"Temos a ideia de uma moeda internacional, o 'petro', a petromoeda, que se fundamente nas grandes reservas de petróleo que temos alguns países do mundo", sugeriu Chávez, acusando os Estados Unidos de terem rompido com o padrão ouro e de ter comprado "meio mundo com puros papéis".
Assim como o restante dos sete chefes de Estado sul-americanos que participam da reunião, Chávez realizou pela manhã reuniões bilaterais, com seu colega boliviano, Evo Morales, com o líder líbio, Muamar Kadhafi, com o presidente libanês Michel Suleiman e com o sírio, Bachar al-Assad, informou a Presidência.