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Correio Braziliense

Opositores não perdoam Lugo

Congressistas atacam o presidente e bispo licenciado por ter escondido o filho de dois anos que teve com uma jovem quando exercia ainda o sacerdócio. Igreja diz que transgressão "faz parte do passado"


postado em 16/04/2009 08:20 / atualizado em 16/04/2009 08:20

A Igreja Católica paraguaia perdoa o presidente da República, Fernando Lugo, por ter tentado enconder que é pai de um menino de dois anos, nascido quando o atual chefe de Estado era bispo. A oposição política do país, não. O porta-voz do Conselho Episcopal paraguaio, monsenhor Claudio Giménez, reconheceu ontem que a relação sentimental que Lugo, de 57 anos, teve com Viviana Carrillo, 26 anos, prejudica a imagem da Igreja, mas ressaltou que os bispos, como outros seres humanos, mercem ser perdoados. No Congresso, entretanto, opositores acusaram o presidente de abusar sexualmente “dos alunos”. “Foi uma comoção, comoveu todo mundo. É verdade que era obrigação dele aceitar o filho. Fez bem, era o caminho adequado, mas isso fere a imagem da Igreja”, ponderou o bispo. Questionado pela imprensa se a hierarquia católica continuará acompanhando o presidente, monsenhor Giménez reeiterou que qualquer um pode errar na vida, inclusive os sacerdotes. “Suponho que ele saberá recuperar a confiança não só da Igreja, mas de todo o povo”, defendeu. Em relação a possíveis sanções contra Lugo, Giménez considerou que cabe ao Vaticano avaliar, mas opinou que a situação já “faz parte do passado”, da consciência particular de Lugo. “Escavar e escavar... penso que a Santa Sé não gostará disso.” No Congresso, a oposição aproveitou o fato de que Lugo teria começado a relacionar-se com Viviana quando ela tinha 16 anos, segundo afirma a jovem, para criticar o presidente. “Não somos nós que escondemos amantes nem levamos alunos de colégio para cama, para depois negar a identidade aos filhos”, acusou o deputado Victor Bogado, da Alianza Nacional Revolucionaria (ANR). Ele se referia ao fato de que, durante a campanha eleitoral, a equipe de Lugo rebateu denúncias de que o bispo recém-licenciado teria numerosos filhos. O general Lino Oviedo, que liderou uma tentativa frustrada de golpe nos anos 1990 e foi candidato à Presidência em 2008, qualificou o presidente com “um farsante”. Paternidade Lugo voltou a falar ontem sobre o escândalo. Disse que se sente bem no papel de pai e que acredita ter recebido “uma benção de Deus”. “O menino se parece comigo, é a minha cara”, comentou em um programa de televisão quando questionado sobre o filho, chamado Guillermo. O presidente indicou que pretende voltar ao sacerdócio quando acabar o mandato. “Felizmente, a Igreja Católica é muito pluralista e há muitos lugares onde poderei trabalhar quando deixar a Presidência, em 16 de agosto de 2013”, sugeriu. Viviana retirou a demanda judicial que havia apresentado depois que Lugo reconheceu a paternidade da criança, mas o presidente já excluiu a possibilidade de casar-se com ela. “Foi uma companheira, mas não vou continuar com ela. Todos os meninos merecem uma vida digna, e ele também. Vou apoiá-lo totalmente, economicamente”, prometeu. O NOME DO PAI O advogado de Fernando Lugo pediu ao registro civil do Paraguai para dar o sobrenome do presidente ao filho que ele teve com Viviane Carrillo. Dentro de um mês, o menino se chamará Guillermo Lugo Carrillo. O presidente reconheceu a paternidade uma semana depois de ter recebido uma demanda judicial. A juíza Judith Gauto foi sorteada para cuidar do processo, que passou a correr de forma amigável. Guillermo, que completa dois anos em maio, receberá como pensão 25% do salário do presidente, o equivalente a R$ 1.725.

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