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Correio Braziliense

Down dificulta o crescimento de tumores

Portadores da síndrome são mais protegidos contra o câncer, aponta pesquisa de Harvard


postado em 23/05/2009 10:00 / atualizado em 23/05/2009 10:01

Pesquisadores americanos podem ter dado um passo importante no combate ao câncer. Segundo estudo publicado na renomada revista científica Nature, pessoas com síndrome de Down têm menos chances de desenvolver a doença porque possuem cópias de genes que impedem o crescimento dos tumores. Cientistas de diversos hospitais e universidades, inclusive Harvard, analisaram um tipo de célula-tronco não embrionária e concluíram que uma terceira cópia do gene DSCR1, presente na síndrome de Down, pode suprimir o crescimento de vasos sanguíneos que alimentam o câncer. Os cientistas injetaram células cancerígenas pulmonares e de pele em ratos normais e também em ratos chamados Ts65Dn, com três cópias de vários dos genes do cromossomo humano 21, como os humanos com síndrome de Down. Depois de três ou quatro semanas, os ratos Ts65Dn apresentaram aproximadamente 50% menos tumores que ratos normais. A pesquisa também usou células-tronco de humanos com Down e normais, que criam tumores quando injetadas em camundongos. O resultado foi que quando se usaram células-tronco normais, os tumores criaram vasos sanguíneos, mas em células com síndrome de Down, os vasos sanguíneos não se formaram completamente. A teoria da desconexão entre câncer e síndrome de Down foi muito estudada pelo professor de Harvard Judah Folkman, que morreu em 2008 e cujo nome consta no estudo. Ele desenvolveu teses sobre como as células cancerígenas desenvolvem vasos sanguíneos para se nutrirem, num processo chamado angiogênese. Folkman observou que a incidência de câncer é rara entre portadores de Down, exceto em casos de leucemia. Um estudo com 18 mil pessoas portadoras de síndrome de Down apontou uma incidência de câncer de apenas 10% quando comparada à média da população geral. A síndrome de Down se caracteriza pela presença de três cópias do cromossomo 21, em vez de duas cópias. Com isso, um portador tem versões extras de 231 genes diferentes. A equipe de pesquisadores, liderada por Sandra Ryeom, aponta que o desafio agora é determinar as melhores formas de isolar a formação dos vasos sanguíneos próximos a tumores, para o desenvolvimentos de terapias. “É inspirador que as pessoas com síndrome de Down nos esclareçam sobre mecanismo que regulam o crescimento do câncer e, assim, possamos identificar potenciais alvos para a prevenção e tratamento do tumo”, escreveu Ryeom no artigo. Segundo ela, se for necessário apenas um gene extra para reduzir a formação dos vasos, em uma terapia futura, o combate ao câncer poderá ocorrer “tomando uma vitamina preventiva”, em vez de drogas tóxicas. O Fundo Mundial de Pesquisa sobre Câncer (WCRF, em inglês) estima que o número de mortes por câncer deve aumentar consideravelmente nas próximas décadas. Atualmente, 7 milhões de pessoas morrem todos os anos por causa da doença, e essa quantidade deve saltar para mais de 10 milhões até 2020.

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