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Correio Braziliense

Domingo de tensão nas ruas de Teerã

 


postado em 15/06/2009 08:10 / atualizado em 15/06/2009 08:11

Teerã enfrentou um domingo de extrema tensão. Pelas ruas da capital de 12 milhões de habitantes, homens com canos e cassetetes invadiam casas, capturavam reformistas e espancavam manifestantes contrários ao presidente do Irã, Mahmud Ahmadinejad, e simpatizantes do ex-premiê Mir Houssein Moussavi. Segundo agências de notícias, o próprio Moussavi — candidato derrotado nas eleições de quinta-feira — teria sido preso por algumas horas. Enquanto isso, Ahmadinejad defendia sua vitória por 62,62% dos votos e considerava o pleito “o mais confiável e saudável possível”. “Cada iraniano é um país em si mesmo, um pilar, e permanecerá de pé diante de todos os inimigos, e resistirá a ele”, declarou, em um discurso para milhares de eleitores. O líder ultraconservador também garantiu que as condições de diálogo sobre a questão nuclear mudaram. “O mundo está mudando e as condições mudam de forma contínua. O pacote que vamos apresentar vai levar em conta as condições atuais do mundo, embora os pilares sejam os mesmos, baseados na justiça, no respeito à lógica e no diálogo”, disse. Em carta divulgada na internet, Moussavi pediu ao governo que anule os resultados das eleições. “Eu vejo essa como a solução para recuperar a confiança pública e o apoio da população iraniana”, comentou. “Nós cremos que Mahmud Ahmadinejad quer ser um presidente para toda a vida, como Hugo Chávez, quer fazer do Irã uma Venezuela”, disse ao Correio, pela internet, o engenheiro mecânico Raaf, de 24 anos. O rapaz contou ter visto civis sofrendo agressões de seguidores de Ahmadinejad. “Nós os chamamos de sepah ou pasiji. São um tipo de milícia mais poderosa que a própria polícia”, afirmou. Raaf contou que ele e um colega espancaram dois supostos pasijis. “Na noite de sábado, incendiamos quatro de suas motocicletas. Eles batem em mulheres e idosos nas ruas”, acrescentou, relatando ter visto um menino receber uma coronhada. Pelo menos 170 pessoas foram presas, 70 delas acusadas de organizar protestos da oposição.

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