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Navios militares das Coreias trocam disparos às vésperas da visita de Obama à região

postado em 11/11/2009 08:37
O recado endereçado à Casa Branca e à comunidade internacional foi repassado por Pyongyang às 11h28 de ontem (hora local). Dessa vez, não envolveu a típica retórica belicista do regime comunista. Veio na forma de violação da soberania territorial de Seul, seguida de disparos. "O Norte abriu fogo contra nosso navio. Respondemos, obrigando o navio norte-coreano a recuar em sua rota", afirma um comunicado militar citado pela agência de notícias France-Presse. A sul-coreana Yonhap consultou uma fonte militar do país que também atribuiu a responsabilidade pelo conflito aos vizinhos. "Um navio de patrulha da Coreia do Norte cruzou a Linha do Limite do Norte (1) e não parou quando disparamos tiros de advertência", destacou, sob a condição de anonimato. [SAIBAMAIS]Por sua vez, Pyongyang insistiu que as embarcações da Marinha sul-coreana é que entraram em território inimigo e exigiu um pedido de desculpas. "As autoridades militares sul-coreanas devem apresentar desculpas ao Norte por esta provocação armada, e adotar as medidas para que uma provocação similar não volte a se repetir", afirmou o Estado-Maior norte-coreano em comunicado divulgado pela agência KCNA. Independentemente de quem tenha sido a culpa, o incidente terminou com o navio norte-coreano destruído e colocou mais fogo nas relações entre os países da Península Coreana. De acordo com a rede de TV sul-coreana MBC, um marinheiro morreu e três ficaram feridos, todos da Coreia do Norte. No entanto, até o fechamento desta edição, não havia confirmação oficial. O governo de Barack Obama não perdeu tempo em "ignorar" o recado do ditador Kim Jong-il. "Esperamos dos norte-coreanos o fim das ações no Mar Amarelo que possam ser vistas como uma escalada (do conflito)", disse o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs. Para um especialista chinês consultado pelo Correio, a rápida declaração pode ter sido o bastante para satisfazer Pyongyang. "A razão por trás desse incidente é o fato de que a Coreia do Norte está ficando impaciente", observa Yong Chen, pós-doutor pela Universidade de Cornell e professor de história americana-asiática pela Universidade da Califórnia, Irvine. "Obama está pronto para visitar quatro países da região (Japão, Cingapura, China e Coreia do Sul), e Pyongyang pretendia que o líder norte-americano se lembrasse dela", acrescenta. Obama chegará a Seul no dia 19, onde se reunirá com o colega sul-coreano, Lee Myung-bak. Guerra Os perigos do incidente vão além da possibilidade de novas escaramuças isoladas. "É incontestável o aumento de tensão na Península Coreana. Existe o perigo de que uma guerra irrompa na região", alertou Chen. Apesar do alarmismo, o analista chinês considera improvável um conflito militar em grande escala, a curto prazo. Isso porque a China tem assumido o fator de contenção - segundo ele, as manobras diplomáticas de Pequim podem evitar uma tragédia sem precedentes. "O premiê chinês, Wen Jiabao, visitou Pyongyang recentemente e recebeu uma vaga promessa de que o regime comunista retornaria à mesa de negociações e debateria seu programa nuclear. Em troca, a China oferecerá ajuda econômica", lembra o especialista. O último grave incidente envolvendo as duas Coreias ocorreu em 2002, quando várias incursões de barcos de Pyongyang levaram a uma troca de tiros que matou seis marinheiros sul-coreanos e feriu nove. Em junho de 1999, pelo menos 17 marinheiros haviam morrido, sob suspeita de seu barco ter naufragado ao ser atingido durante uma batalha naval. 1 - Fronteira controversa A Linha do Limite do Norte foi desenhada unilateralmente pelas forças da Organização das Nações Unidas (ONU) no fim da Guerra da Coreia, em 1953. No entanto, Pyongyang nunca reconheceu sua existência e insiste que uma nova linha deveria ter sido traçada mais ao sul. Além de demarcar a soberania territorial, a área também é rica em pesca de caranguejos. As Coreias do Norte e do Sul têm discordado sobre a demarcação de sua fronteira marítima por mais de 50 anos desde o fim da Guerra da Coreia.

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