Agência France-Presse
postado em 25/11/2009 18:29
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, propôs nesta quarta-feira a suspensão parcial da colonização durante dez meses na Cisjordânia, sem incluir Jerusalém, com o objetivo de reativar o processo de paz na região, oferta comemorada pelos Estados Unidos e rejeitada pelos palestinos.
O gabinete de segurança, que reúne os principais membros do governo, aprovou "a suspensão temporária das novas autorizações de construção na Judeia-Samaria (nome que Israel dá à Cisjordânia) durante dez meses", anunciou Netanyahu.
[SAIBAMAIS]No entanto, acrescentou, "não imponho nenhum limite à construção em Jerusalém, nossa capital soberana".
Este gesto, que não é "nem simples nem fácil", nos "permite mostrar ao mundo uma verdade simples, que é: o governo israelense quer abrir negociações com os palestinos (...), e suas intenções de alcançar a paz são sérias", declarou Netanyahu ao anunciar a medida.
Em uma primeira reação, a secretária de Estado americana Hillary Clinton se disse satisfeita: "O anúncio de hoje (quarta-feira) feito pelo governo israelense ajuda a avançar na direção da resolução do conflito israelo-palestino", afirmou.
Os Estados Unidos, que pressionam Israel para congelar a colonização, espera que a oferta de Netanyahu "leve a uma retomada do processo de paz", declarou à AFP um funcionário do governo americano, que pediu o anonimato.
A Autoridade Palestina, porém, rejeitou categoricamente a oferta israelense de suspensão temporária ou incompleta da colonização.
Netanyahu "não apresentou nenhuma opção para reativar as negociações", criticou Saeb Erakat, principal negociador palestino, falando por telefone do Chile, onde acompanha o presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, que viaja pela América Latina.
"Não havia nada de novo nas declarações de Netanyahu. Os assentamentos permanecerão na Cisjordânia e em Jerusalém, e haverá muito mais atividades de colonização em Jerusalém nos próximos dez meses do que hoje", lamentou Erakat.
Os palestinos querem o fim total da colonização judaica na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental como condição para retomar as negociações de paz, suspensas há quase um ano.