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Nigeriano acusado de atentado aéreo se declara inocente em tribunal de Detroit

Agência France-Presse
postado em 08/01/2010 17:50

DETROIT - Com algemas nos tornozelos, o jovem nigeriano acusado de tentar explodir um avião americano no dia de Natal declarou-se inocente, em sua primeira aparição no tribunal, organizada sob forte esquema de segurança.

Umar Faruk Abdulmutallab, de 23 anos, falou suavemente do banco dos réus para confirmar seu nome e idade. Além disso, afirmou compreender as seis acusações formalmente feitas contra ele.

A advogada Miriam Siefer, apontada pela corte para defendê-lo, apresentou sua declaração de inocência para as seis acusações, incluindo tentativa de homicídio de 290 pessoas a bordo de um avião e tentativa de utilizar armas de destruição em massa. Se condenado, pode pegar a prisão perpétua. "Neste momento, nosso cliente gostaria de se declarar inocente", disse Siefer.

[SAIBAMAIS]Abdulmutallab, filho de um próspero ex-banqueiro nigeriano, foi preso depois do atentado frustrado da Al-Qaeda contra um voo da companhia Northwest Airlines que ia de Amsterdã para Detroit no dia 25 de dezembro. Ele tentou detonar uma substância explosiva que estava escondida dentro de sua cueca, mas conseguiu apenas um princípio de incêndio e foi rapidamente imobilizado pelos passageiros.

O nigeriano sofreu queimaduras de segundo grau em várias partes do corpo. Perguntado no tribunal se havia tomado medicamentos nas últimas 24 horas para tratar suas feridas, ele respondeu: "24 horas? Sim. Analgésicos".

A tentativa de atentado deixou os Estados Unidos e todo o mundo ocidental em estado de alerta, e levou o governo americano a adotar novos e mais rígidos procedimentos de segurança nos aeroportos. Além disso, dezenas de nomes foram adicionados às listas mantidas pela inteligência de suspeitos de terrorismo que devem ser impedidos de embarcar em qualquer tipo de voo.

Na quinta-feira, o presidente americano, Barack Obama, ordenou uma varredura geral nos serviços de inteligência americanos, que culpou por ignorar alertas que poderiam ter detectado o plano terrorista com antecedência.

Em um discurso após longa reunião com seus principais assessores de segurança e diretores das agências de inteligência, Obama afirmou que a responsabilidade última pelas falhas que possibilitaram a tentativa de atentado é dele.

Antes da audiência de Abdulmutallab, o serviço de segurança do tribunal ajudava a polícia local a vigiar a área. "Nossas medidas de segurança foram reforçadas ao máximo. Não esperamos nenhum problema, mas estamos levando isto muito a sério", declarou à AFP Kevin Pettit, porta-voz dos US Marshals (serviço de segurança ligado ao Departamento de Justiça) de Detroit.

A polícia bloqueou a rua onde fica o Fórum Theodore Levin, escolhido para a audiência. Dentro do tribunal, cães farejadores revistavam cada sala do prédio em busca de explosivos, e cada pessoa que entrava era encaminhada para um detector de metais.

Um homem que não quis se identificar e disse que representava a embaixada da Nigéria indicou que a família de Abdulmutallab decidiu não comparecer à audiência.

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