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Correio Braziliense

Chilenos que tiveram suas casas destruídas tentam recomeçar a vida


postado em 09/03/2010 20:19

Santiago (Chile) – Os chilenos que tiveram suas casas destruídas pelos tremores de terra em Santiago, a capital, tentam recomeçar a vida. Um dos bairros mais afetados da cidade foi Ñuñoa. No local há conjuntos habitacionais ocupados, principalmente, por idosos e aposentados, onde os terremotos causaram danos consideráveis: derrubaram tetos, racharam paredes e pilastras, destruíram imagens sacras e impuseram o medo.

A empresária de alimentos Ana María Mera mudou com a família inteira para o lado externo do conjunto habitacional e desde o último dia 27 todos vivem em barracas de camping. “Sobrevivemos com a ajuda de pessoas de boa alma. Temos de tentar reconstruir nossas vidas. Não dá para continuar assim”, disse ela.

O aposentado Luís Fajuri disse que reza constantemente para que não ocorra outro terremoto e chegue a ajuda prometida pelo governo aos mais necessitados. Segundo ele, a pensão que recebe é insuficiente para reconstruir seu apartamento e refazer a vida. Ele dormia quando houve o terremoto de 8,8 de magnitude na escala Richter.

“Não tenho como consertar tantos estragos. Na hora tudo veio abaixo: o teto, os azulejos, os quadros e o chão começou a rachar”, contou o aposentado. “Quanto vai custar tudo isso? Não tenho para onde ir nem dinheiro. Preciso realmente de ajuda”.

A protética Ana Álvarez, espécie de síndica de um conjunto habitacional, disse que é uma das poucas moradoras que não deixou o local. Segundo ela, todos partiram com medo de novos terremotos. Com uma filha prestes a dar à luz, ela afirmou que decidiu ficar e “enfrentar” as dificuldades, porque teme deixar seu apartamento e vê-lo saqueado.

“Aqui perto há uma região de tráfico de drogas e roubo. Tudo o que construí está aqui. Não posso arriscar deixar meu apartamento e quando voltar não ter mais nada”, disse Ana Álvarez. “Mas, sinceramente, tenho medo de ficar aqui”.

De forma semelhante pensa o aposentado Luís Alcazar, que teve a casa parcialmente destruída, mas afirmou que não tem para onde ir e receia que ao deixar o local seja assaltado. “Moro aqui com minha família há mais de 40 anos. Para onde vou? Recomeçar a vida a esta altura, como?”, reagiu ele.

O governo do futuro presidente Sebastián Piñera prepara um pacote de medidas voltado exclusivamente para as vítimas dos terremotos e tsunamis. Uma das propostas é pagar uma espécie de bolsa ajuda no valor de US$ 80. Mas a proposta deve ser submetida ao Congresso Nacional e só depois efetivada. Piñera quer enviar o pacote para apreciação do Legislativo na próxima segunda-feira (15/3).

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