Agência France-Presse
postado em 14/04/2010 16:24
O número de mortos no terremoto que atingiu nesta quarta-feira (14/4) a província de Qinghai, no noroeste da China, subiu para 589, e os feridos já somam 10 mil, indicaram meios de comunicação estatais. O balanço anterior era de 400 mortos.O terremoto - de magnitude 6,9, segundo o Instituto de Geofísica dos Estados Unidos (USGS), e de 7,1, de acordo com as autoridades chinesas) - ocorreu às 07h49 locais (20h49 de Brasília) e foi seguido por três movimentos secundários, de até 5,8 graus.
De acordo com a televisão estatal, mais de 900 pessoas foram resgatadas com vida dos escombros deixados pelo terremoto. O balanço ofical divulgado pela agência oficial Xinhua (Nova China) estima que cerca de 10 mil pessoas tenham ficado feridas no país. Muitas casas foram destruídas e as estradas, obstruídas por deslizamentos, com as redes de telecomunicação entrando em colapso nesta região do Himalaia.
O governo chinês liberou uma ajuda de emergência de 200 milhões de yuanes (29,3 milhões de dólares) que permitirá financiar, entre outras providências, a evacuação dos habitantes e seu alojamento, assim como cuidados médicos e a prevenção de doenças, anunciou o ministério das Finanças, citado pela agência Xinhua, Nova China.
O tremor ocorre quase dois anos depois do violento terremoto que, em maio de 2008, arrasou a província de Sichuan, também próxima ao Tibete, deixando 87 mil mortos e desaparecidos.
Na cidade de Gyegu, próxima ao epicentro, mais de 85% das construções desabaram, segundo um funcionário do governo local. ;Uma escola caiu e muitos estudantes ficaram soterrados. Há feridos por todos os lugares nas ruas, muita gente sangra na cabeça;, relatou.
[SAIBAMAIS]A rede de televisão oficial CCTV exibiu imagens de soldados da Polícia Armada trabalhando na remoção dos escombros no local de uma casa em ruínas, à procura de sobreviventes. "Foram enviados soldados para socorrer as pessoas soterradas", informou um dirigente local, Huang Limin, citado pela Nova China.
"Devemos usar principalmente nossas mãos para remover os escombros porque não temos máquinas escavadoras", declarou Shi Huajie, chefe da Polícia Armada encarregado das operações de socorro. "Não temos mais equipamentos médicos", acrescentou.
O local se encontra em uma zona onde são registrados muitos terremotos, habitada por camponeses e nômades de etnias mongol e tibetana. Possui importantes reservas de carvão, chumbo e cobre. O presidente Hu Jintao e o primeiro-ministro Wen Jiabao ordenaram que as autoridades locais façam tudo para ajudar a população.
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, aprovou os esforços das autoridades chinesas "para lidar com a situação" e as Nações Unidas se mostram dispostas a disponibilizar ajuda caso a China solicite. A secretária americana de Estado, Hillary Clinton, expressou seus pêsames, também oferecendo a ajuda dos Estados Unidos às vítimas do terremoto. O líder espiritual dos tibetanos no exílio, o Dalai Lama, também se declarou comovido, nesta quarta-feira, com a situação. "Rezamos por aqueles que perderam a vida nesta tragédia, pelas famílias e por todas as pessoas afetadas", declarou o Dalai Lama em Dharamshala (norte da Índia, onde vive).