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Reforma do Conselho de Segurança da ONU foi tema de debates em Brasília

postado em 23/04/2010 18:42
A reforma do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) foi um dos temas discutidos ontem (22/4) em Brasília no seminário que reuniu pesquisadores, formadores de opinião e funcionários de 12 países. Promovido pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE), o encontro discutiu o impacto das últimas transformações mundiais nos sistemas políticos e financeiros internacionais, incluindo a inserção dos países emergentes neste cenário.

Segundo o secretário geral do Itamaraty, embaixador Antônio Patriota, que hoje (23) reuniu jornalistas para falar sobre o encontro, os participantes do seminário também discutiram se a nova configuração geopolítica que está se formando no mundo será corporativa e competitiva - o que poderá gerar tensões entre os países - ou um novo sistema de governança internacional, mais democrático e favorável a um mundo de paz e cooperação, como deseja o Brasil.

A discussão em torno da reforma do Conselho de Segurança da ONU foi reforçada a partir da criação do G 20, na área financeira, como "fruto da crise econômica desencadeada com a queda do banco Lehman Brothers, em setembro de 2008", disse o embaixador. "A crise forçou as Nações Unidas a repensar suas estruturas e, em particular, a situação do Conselho de Segurança".

Na avaliação de especialistas internacionais, o novo papel do Conselho de Segurança seria o de um órgão coletivo e exclusivo para lidar com situações no âmbito da segurança global. Patriota disse que o embaixador do Afeganistão na ONU, Zahir Tanin, participou do seminário em Brasília e informou que, em linhas gerais, sua percepção é de que a discussão sofre a reforma do Conselho está retomando impulso.

Tanin é o diplomata que está, desde o ano passado, negociando as mudanças no Conselho de Segurança. Segundo o embaixador Patriota, "140 países membros da ONU assinaram uma carta delegando ao embaixador do Afeganistão a responsabilidade de elaborar um texto sobre o novo papel do Conselho. Este texto seria transformado na base de negociações efetivas que poderiam começar já no mês que vem".

As discussões sobre o assunto, na visão do embaixador brasileiro, deverão prosseguir em 2010 e, possivelmente, ao longo de 2011. "Ao contrário do que se imagina", disse, "os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (Estados Unidos, França, Reino Unido, Rússia e China) não estão indiferentes à reforma. Tanto é assim que representantes dos cinco países procuram o embaixador Zahir Tanin para apresentar sugestões ao texto que ele está elaborando".

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