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Correio Braziliense

Visita de Lula ao Irã é vista pelos EUA como última chance


postado em 13/05/2010 16:43 / atualizado em 13/05/2010 17:52

A viagem do presidente brasileiro, Luiz Inacio Lula da Silva, ao Irã, pode ser a última chance para Teerã de dialogar com o mundo, antes da imposição de sanções ao país, devido a seu polêmico programa nuclear, informou um funcionário americano nesta quinta-feira.

"Acredito que devemos interpretar a visita de Lula como uma última tentativa de diálogo", afirmou o funcionário de alto escalão do Departamento de Estado, que preferiu não ter o nome divulgado.

Lula, que defende uma solução diplomática para a questão nuclear entre o Irã e as potências ocidentais, visita Teerã nos dias 16 e 17 de maio, num momento em que os Estados Unidos apresentam propostas de novas sanções no Conselho de Segurança da ONU contra a República Islâmica.

Os Estados Unidos querem que o Irã deixe de enriquecer urânio, que pode servir tanto como combustível para alimentar reatores quanto para a fabricação de bomba atômica.

O Brasil vem defendendo as atividades nucleares do Irã, fazendo valer o direito do país de se prover de energia atômica. Brasília afirmou por diversas vezes que toda sanção seria contraproducente e ineficaz.

A aplicação de sanções contra o Irã é defendida por quatro dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (Estados Unidos, França, Grã-Bretanha e Rússia).

Na quarta-feira, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, "garantiu ao presidente Lula o total apoio aos esforços empreendidos pelo Brasil para convencer autoridades iranianas a responderem plenamente aos pedidos da comunidade internacional sobre o programa nuclear", indicou um comunicado do Palácio do Eliseu, sede da presidência francesa.

Numa visita a Washington, no dia 13 de abril, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu colega turco, Recep Erdogan, lideraram um novo esforço diplomático para tentar evitar sanções contra o Irã, que incluiu uma reunião com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.

A iniciativa brasileira ocorreu à margem da Cúpula de Segurança Nuclear convocada por Obama.

Lula conseguiu, após uma reunião bilateral na véspera com Erdogan, que Obama convidasse os dois para uma rápida conversa sobre o Irã.

Foi uma reunião "franca e sincera", na qual Lula pediu a Obama que "dê uma oportunidade" à possibilidade de uma solução negociada para o Irã, revelou à imprensa o chanceler Celso Amorim.

Obama ouviu os argumentos de Lula e Erdogan, disse Amorim, acrescentando que "tenho a impressão de que (Obama) não se mostra negativo a uma solução negociada".

"Não posso dizer que o presidente Obama tenha assumido algum compromisso, mas ele não disse que não adianta tentar", afirmou Celso Amorim.

"Meu interesse é evitar um processo que se arraste durante meses", disse Obama ao pedir "audácia e rapidez" na questão das sanções.

Brasil, Turquia e Líbano são os três países no Conselho de Segurança que tentam emplacar uma solução negociada para a complexa questão nuclear envolvendo Teerã.

O Irã propõe uma nova fórmula para trocar, de uma só vez, 1.200 kg de urânio enriquecido a 3,5% por combustível nuclear para seu reator de pesquisa científica.

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