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Correio Braziliense

Líder opositor é baleado na cabeça


postado em 14/05/2010 07:00 / atualizado em 14/05/2010 08:42

O paulista Leonardo Monteiro, 29 anos, só tomou conhecimento do que ocorria na Ratchaprasong — ou Praça Siam — por volta das 11h25 (21h25 em Brasília). O morador do bairro de Huay Kwang, em Bangcoc, soube pela TV que a crise política na Tailândia começava a ganhar proporções assustadoras, a apenas 7km de sua casa. “A televisão mostra um monte de gente na frente de um hospital e afirma que há feridos”, contou ao Correio, por telefone, o lutador de muay thai (boxe tailandês), que vive em Bangcoc e havia passado perto da Ratchaprasong quatro horas antes.

No Hospital Vajira, o general renegado Khattiya Sawadispol, um dos líderes dos “camisas vermelhas” e aliado ao ex-premiê Thaksin Shinawatra, lutava pela vida. No início da noite de ontem, Khattiya (também chamado de Seh Daeng) havia sido baleado na cabeça enquanto atendia a imprensa. “O estado é muito grave. Está sob assistência respiratória”, contou uma enfermeira à agência France-Presse, sob a condição de anonimato. O projétil teria saído pela nuca. She Daeng, 58 anos, havia sido suspenso do serviço militar no Exército tailandês e se comparava ao personagem da ator Mel Gibson no filme Coração valente.

De acordo com o jornal Bangkok Post, um camisa vermelha foi assassinado pelas forças de segurança, em meio a disparos de armas de fogo e explosões, e outros oito manifestantes ficaram feridos. A escalada de violência ocorreu depois que o governo do primeiro-ministro Abhisit Vejjajiva cancelou as eleições antecipadas, ordenou o bloqueio de ruas por veículos blindados do Exército e desativou a principal ferrovia que leva à Praça Siam. O premiê decidiu ontem ampliar o estado de emergência decretado em Bangcoc para outras 15 províncias do país. A manobra busca controlar os manifestantes antigovernamentais e impedir que a insurreição popular ganhe força.

Promessa
Ainda segundo o Bangkok Post, o vice-líder da Frente Unida pela Democracia contra a Ditadura (UDD, pela sigla em tailandês), Jatuporn Prompan, prometeu que os camisas vermelhas lutariam até o fim e não abandonariam os protestos. Seguranças da UDD denunciaram a presença de franco-atiradores em prédios do centro de Bangcoc. “Se o governo pretende nos dispersar, que faça isso hoje e não espere até amanhã, porque nós lutaremos até o fim”, afirmou, durante discurso na Ratchaprasong.

“O problema aqui é que os camisas vermelhas são manipulados por Thaksin, uma espécie de ‘Paulo Maluf tailandês’”, afirmou Leonardo, ao comparar o ex-premiê deposto em 19 de setembro de 2006 com o deputado federal e ex-prefeito de São Paulo. “Thaksin é populista, fez grandes obras e tomou várias medidas importantes, inclusive abaixou os preços dos planos de saúde”, acrescentou.

 

Ouça a entrevista com Leonardo Moreira, brasileiro que mora em Bangcoc

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