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Correio Braziliense

Ocidente critica promessas do Irã


postado em 26/05/2010 08:31

Com a carta do Irã à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) em mãos, autoridades dos Estados Unidos, Reino Unido e França criticaram ontem as garantias dadas por Teerã no documento. Em visita à China, a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, afirmou que o texto está cheio de “lacunas”. Em Londres, o novo premiê britânico, David Cameron, destacou que, mesmo se cumprir o acordo, o Irã ainda reterá material nuclear suficiente para a produção de uma ogiva. Hillary garantiu que teve “conversas produtivas” com o governo chinês sobre a aplicação de novas sanções contra o regime islâmico.

Presidente Hu Jintao (D) com Hillary Clinton: lacunas em acordo(foto: SAUL LOEB )
Presidente Hu Jintao (D) com Hillary Clinton: lacunas em acordo (foto: SAUL LOEB )
“Há uma certa quantidade de lacunas que não respondem às preocupações da comunidade internacional”, afirmou Hillary, durante o encontro Diálogo Estratégico e Econômico EUA-China, em Pequim. “Não há um reconhecimento das profundas preocupações frente ao objetivo de enriquecer urânio a 20% perseguido pelo Irã”, acrescentou. Para ela, o acordo assinado por Irã, Brasil e Turquia é uma “manobra clara” para ganhar tempo. “Há um reconhecimento, entre a comunidade internacional, de que o acordo tripartite foi obtido unicamente porque o Conselho de Segurança estava a ponto de publicar o texto de uma resolução que negociamos durante semanas.”

Após o discurso da Rainha Elizabeth II, que marcou a abertura do novo Parlamento britânico, Cameron defendeu a aplicação da quarta rodada de sanções, que incluirão inspeções a navios de mercadorias, congelamento de ativos e ação contra bancos suspeitos de financiar o programa nuclear de Teerã. “Nos últimos seis anos, temos seguido uma política de duas vias em relação ao Irã, oferecendo engajamento, mas sempre preparados para pressionar. Acredito que chegou a hora de pressionar, e o tempo é curto”, afirmou Cameron.

Problema
O porta-voz da chancelaria francesa Bernard Valero, por sua vez, disse que a posição do governo iraniano de continuar enriquecendo urânio também dentro do país “será levada em conta” e é “parte do problema”. “Em outubro, estávamos falando de 1,2 mil kg (de urânio) e, agora, o estoque iraniano já deve ser de 2 mil a 2,4 mil kg”, afirmou. Pelo acordo assinado em Teerã na última semana, o Irã se compromete a enviar 1,2t de urânio levemente enriquecido para a Turquia, onde será estocado e trocado, em até um ano, por 120kg do combustível enriquecido a 20% — para ser usado no Reator de Pesquisa de Teerã.

O embaixador do Irã na Rússia, Mahmud Reza Sadjadi, reforçou a advertência já feita na véspera pelo chefe da Agência Iraniana de Energia Atômica, Ali Akbar Salehi. “Se houver novas sanções, ficará óbvio para o público iraniano que o grupo 5 1 está escondendo más intenções e buscando objetivos políticos. Isso nos forçaria a rever os acordos de Teerã”, ameaçou. Ontem, o jornal The New York Times publicou que o governo americano ordenou, em 2009, a “ampliação” de suas operações militares secretas em países como Irã, Arábia Saudita e a Somália. A diretriz, assinada em setembro pelo general David Petraeus, autorizou o envio de tropas especiais para coletar informações de inteligência e criar redes que possam “penetrar, deter, derrotar ou destruir a Al-Qaeda” e outros grupos militantes.

PANAHI LIBERTADO
» O cineasta iraniano Jafar Panahi, preso desde 1° de março, foi libertado ontem, após pagar fiança de 160 mil euros (cerca de R$ 364 mil). A prisão de Panahi, 49 anos, provocou uma onda de indignação internacional. Sua libertação foi pedida, inclusive, por Juliette Binoche, eleita a melhor atriz do Festival de Cannes, durante a premiação. Segundo a mulher do diretor, Tahereh Saeedi, ele foi levado ao médico logo depois de ser solto, já que há 10 dias fazia uma greve de fome para protestar contra sua prisão. Panahi foi acusado de fazer um filme contra o regime iraniano.

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