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Israel expulsa militantes pró-palestinos

Criticado por todos os lados, Israel expulsou nesta quarta-feira (2/6) centenas de ativistas estrangeiros pró-palestinos após a decisão do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu de expulsar todos os presos durante o ataque contra a flotilha que viajava para Gaza levando ajuda humanitária ao povo local. Segundo o porta-voz da administração penitenciaria, Yaron Zamir, apenas um dos prisioneiros permanece no local.

Por sua vez, a porta-voz do serviço de imigração indicou que 404 passageiros da flotilha esperam para deixar o aeroporto Ben Gourion (em Tel Aviv) e 102 estão a caminho do aeroporto para serem repatriados. Cerca de 125 outros militantes expulsos por Israel foram levados para a Jordânia pelo posto fronteiriço da ponte Allenby. No início da tarde, mais da metade dos 682 militantes originários de 42 países que estavam a bordo de seis barcos da "flotilha da liberdade" já tinham sido expulsos. A Turquia, que teve pelo menos quatro pessoas mortas no ataque, enviou três aviões para repatriar cerca de 350 de seus cidadãos.

O processo de expulsão foi acelerado após a decisão do gabinete de segurança israelense presidido na terça-feira por Netanyahu de mandar todos para seus países em 48 horas, segundo a rádio militar israelense.

O governo israelense está sob intensa pressão, no momento em que se intensificam os apelos da comunidade internacional por uma investigação "imparcial" sobre a abordagem de segunda-feira, que terminou com a morte de nove pessoas e dezenas de feridos.


Netanyahu advertiu que Israel manterá seu bloqueio à Faixa de Gaza, estabelecido há quatro anos, enquanto um cargueiro irlandês, o MV Rachel Corrie, é aguardado em Gaza para o início da semana. "Abrir uma rota marítima para Gaza representaria um grande perigo para a segurança de nossos cidadãos. É preciso, então, continuar com o bloqueio marítimo", afirmou o chefe de governo israelense em um comunicado. "É verdade. Há uma pressão internacional e críticas sobre nossa política. Mas é preciso compreender que ela é vital para preservar a segurança de Israel e seu direito de se defender", ressaltou Netanyahu.


O governo irlandês exortou nesta quarta-feira (2/6) Israel a permitir a passagem do MV Rachel Corrie, fretado por uma organização irlandesa e que transporta quinze passageiros, entre eles o prêmio Nobel da Paz Mairead Maguire.


[SAIBAMAIS]Opiniões divididas
A opinião pública israelense está dividida. Segundo uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira pelo jornal Maariv, 46,7% dos israelenses consultados são favoráveis a uma investigação contra 51,6% que a consideram inútil.

Ancara ameaçou revisar suas relações com Israel se seus cidadãos detidos após o ataque não fossem liberados até esta quarta-feira à noite.

Cerca de 50 cidadãos de países estrangeiros e seis soldados israelenses foram hospitalizados em Israel. O Parlamento turco exigiu nesta quarta-feira por unanimidade medidas "eficazes" contra Israel.

O Parlamento "pede ao governo turco que revise as ligações políticas, militares e econômicas com Israel e adote medidas eficazes necessárias", segundo uma declaração adotada por unanimidade. "A Turquia deve utilizar os meios legais nacionais e internacionais à disposição contra Israel".

Israel começou a rapatriar as famílias de seu pessoal diplomático em Ancara, segundo a rádio pública israelense.

O presidente da Autoridade Palestina Mahmud Abbas, que deve se reunir com Barack Obama no dia 9 de junho na Casa Branca, anunciou que pedirá ao presidente americano que tome "decisões corajosas" e classificou "de "terrorismo de Estado" o ataque israelense.