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Correio Braziliense

Hamas e Fatah negociam união

Líder palestino envia mensagem a fundamentalistas. Grupo de 21 países condena Israel


postado em 09/06/2010 08:10 / atualizado em 09/06/2010 08:41

Ahmad Al-Nimer, 24 anos, sente que seu povo tem uma oportunidade de mudar a imagem perante Israel e ter mais poder decisório. “Estou otimista em relação ao Fatah e ao Hamas voltarem a uma coalizão. Isso unirá as autoridades palestinas e o governo israelense não mais usará o grupo islâmico como desculpa”, afirma ao Correio o gerente de tecnologia de informação, morador de Nablus (Cisjordânia). “Se isso ocorrer, a negociação com Israel será mais fácil”, prevê. Apesar de discordar da ideologia do Hamas, ele lembra que o movimento fundamentalista representa cerca de 40% da população da Autoridade Palestina (AP), mas jamais teve a chance de governar. No outro extremo da fronteira com Israel, na Faixa de Gaza, Adham Khalil não disfarça o pessimismo. “A reconciliação não será fácil. Há uma grande diferença entre as agendas dos grupos”, lamenta o assistente social de 25 anos, que vive no campo de refugiados de Jabaliya, a 20 minutos da Cidade de Gaza. Segundo ele, enquanto o Fatah escolhe uma luta pacífica, o Hamas adota a militância.

Idosa é submetida a diálise no Hospital Al-Shifa, na cidade de Gaza: vida dificultada pelo embargo israelense(foto: MAHMUD HAMS )
Idosa é submetida a diálise no Hospital Al-Shifa, na cidade de Gaza: vida dificultada pelo embargo israelense (foto: MAHMUD HAMS )
O jornal israelense Jerusalem Post divulgou ontem que o presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, reuniu-se com um deputado da Faixa de Gaza que mantém vínculos com o Hamas. Fontes da AP contaram que Abu Mazen (ou Abbas) transmitiu uma mensagem ao grupo islâmico na qual se diz “profundamente interessado em encerrar a batalha pelo poder que separou a Cisjordânia da Faixa de Gaza”.

Por sua vez, Azzam Al-Ahmed, funcionário de alto posto do Fatah, confirmou que tem mantido contato com Mahmud Al-Zahar — líder do Hamas em Gaza — e com Nasser Eddin Shaer e Samir Abu Aisheh, dirigentes da facção na Cisjordânia. Nas conversas, o representante da Mukataa (sede do poder palestino) expressou que navios não serão suficientes para romper o embargo imposto por Israel. Como condição para a união, o Fatah exige que o Hamas aceite o plano egípcio para a convocação de eleições e a paz entre os partidos. Em entrevista anteontem ao Correio, o porta-voz do Hamas, Fawzi Barhoum, havia confirmado a existência de obstáculos para a reconciliação. “A principal causa para a divisão entre o Hamas e o Fatah é a interferência externa em nossa política”, disse. Abbas deve se reunir hoje em Washington com o colega norte-americano, Barack Obama, para discutir o processo de paz no Oriente Médio e avaliar os progressos feitos até o momento.

Flotilha
O ataque à flotilha humanitária Liberdade, na madrugada de 31 de maio, parece ter sensibilizado os palestinos sobre a necessidade de coesão e continua a repercutir no mundo. Pelo menos 21 países reunidos em Istambul criticaram o governo de Israel e manifestaram “séria preocupação e condenação relativas às ações das forças israelenses”. Também denunciaram a ofensiva como uma “violação flagrante” do direito internacional e exigiram a abertura de uma comissão de investigação formada por várias nações. Por ora, o governo do israelense Benjamin Netanyahu criou um painel civil interno para apurar se o bloqueio à Faixa de Gaza e a incursão contra a flotilha de bandeira turca obedeceram ao direito internacional. O premiê pediu para testemunhar perante os investigadores.

O palestino Bishara Bahbah, cientista político da Universidade de Harvard, também defende uma investigação internacional, “queira ou não Israel”. “O fato de Israel investigar um incidente no qual foi o agressor e que resultou na morte de civis em águas internacionais é o mesmo que pedir a um juiz ladrão para justificar seu roubo”, afirmou ao Correio.

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