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Correio Braziliense

Corpo de escritor é cremado em Lisboa

Viúva cita Jorge Amado em discurso. Em férias, presidente de Portugal não vai a velório


postado em 21/06/2010 07:47

O corpo do escritor José Saramago, morto na sexta-feira aos 87 anos após falência múltipla dos órgãos, foi cremado ontem em Lisboa. Já passavam das 9h30 (horário de Brasília) quando a fumaça branca saiu da chaminé do Cemitério Alto do São João, num indicativo de que a cerimônia de cremação estava em curso. Apenas familiares e amigos mais próximos assistiram à cremação. Do lado de fora, Saramago foi homenageado com salva de palmas por centenas de pessoas.

A ausência do presidente de Portugal, Aníbal Cavaco Silva, foi notada no velório. O presidente estava de férias nos Açores, e disse ter cumprido obrigações como chefe de Estado. Acatou o luto de dois dias, enviou nota oficial de condolências e coroa de flores. “Devo dizer que nunca tive o privilégio na minha vida, se me recordo, de alguma vez conhecer ou encontrar José Saramago”, justificou. Cavaco Silva era primeiro-ministro quando o governo decidiu retirar o nome de Saramago da concorrência do Prêmio Literário Europeu por causa do teor crítico do romance O evangelho segundo Jesus Cristo.

Lembrança
Antes de iniciar a cremação, a viúva do escritor, Pilar del Río, fez um pequeno discurso destinado aos familiares e amigos que a acompanharam ao cemitério e lembrou um episódio envolvendo o escritor baiano Jorge Amado. Pilar contou como certa vez, durante um voo no qual o avião entrou em pane, o baiano estava mais preocupado em ler as notícias do jornal. A ideia da viúva foi lembrar que Saramago era um pouco como Amado, preocupado com o mundo ao seu redor até os últimos momentos.

As cinzas do escritor foram entregues à Pilar del Río, que durante toda a cerimônia permanceu ao lado de Violante, a filha do escritor. Até a noite de ontem, não havia sido emitido um comunicado oficial sobre o destino dos restos mortais. No sábado, o administrador da Fundação José Saramago, José Sucena, garantiu ser vontade expressa do escritor que suas cinzas permanecessem em Portugal. Em uma entrevista a uma televisão portuguesa em 2008, no entanto, Saramago teria dito que queria suas cinzas divididas entre a cidade natal, Azinhaga, e Lanzarote. A decisão deve ficar por conta da viúva do escritor.

Segundo a polícia, cerca de 20 mil pessoas passaram pela prefeitura de Lisboa, onde o velório de Saramago foi realizado. O corpo do escritor chegou à capital portuguesa no sábado e ficou exposto ao público até a manhã de ontem. O escritor morreu em Lanzarote, ilha do arquipélago das Canárias, onde morava desde 1993, quando escolheu o autoexílio depois de ver seu nome retirado da lista de candidatos ao Prêmio Literário Europeu.

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