O governo do Afeganistão reiterou nesta terça-feira (6/7) o pedido ao vizinho Paquistão para a adoção de "medidas sérias" contra os "grupos terroristas" islâmicos estabelecidos nas zonas tribais paquistanesas, perto da fronteira entre os dois países.
As áreas, reduto dos talibãs paquistaneses, também são uma importante base de retaguarda dos talibãs afegãos e o principal santuário da Al-Qaeda no mundo.
"Não é um segredo que existem terroristas que têm santuários no Paquistão, onde dispõem de centros de treinamento e da possibilidade de entrar no Afeganistão, nos atacar e voltar a cruzar a fronteira", declarou Rangin Dadfa Spanta, conselheiro de segurança do presidente afegão Hamid Karzai, em entrevista à AFP.
Até agora, o Paquistão não combateu de verdade estes grupos, segundo Spanta.
O Afeganistão já pediu várias vezes ao Paquistão uma ação para impedir que os talibãs atravessem a fronteira para combater seus soldados ou as tropas internacionais, assim como solicitou medidas "concretas" para eliminar os extremistas.
"Temos provas de que que terroristas procedentes do Paquistão estão envolvidos em ataques diários contra nosso povo", acusou o conselheiro de Karzai.
"Depois de nove anos (de guerra), espero que o Paquistão comece a adotar medidas sérias contra o terrorismo, porque (este país) integra a aliança contra o terrorismo", completou Spanta.
Uma coalizão liderada pelos Estados Unidos invadiu o Afeganistão em 2001 e expulsou do poder os talibãs. Desde então, as tropas internacionais presentes no país enfrentam uma crescente insurgência islamita.