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Tropas de 13 países africanos participam da festa nacional da França

Agência France-Presse
postado em 14/07/2010 11:09
As tropas de 13 países da África francófona participaram, excepcionalmente de um desfile, nesta quarta-feira (14/7), em Paris, durante a parada tradicional para marcar a festa nacional francesa do 14 de julho, como parte de uma homenagem aos 50 anos da independência dessas nações.

Debaixo de chuva, os soldados marcharam nos Champs-Elysées diante de multidão que os observava dos passeios e da tribuna oficial onde estava o presidente francês Nicolas Sarkozy e os chefes de Estado africanos, convidados de honra da cerimônia.

Sarkozy esteve ao lado dos presidentes da República dos Camarões e de Burkina Faso (antigo Alto Volta), Paul Biya e Blaise Compaoré, e a primeira-dama, Carla Bruni, ficou próxima das esposas, Chantal Compaoré e Chantal Biya. Assistiram a uma exibição musical durante a qual tambores africanos se misturaram a instrumentos de percussão franceses.

O desfile aéreo, conduzido pelos Alpha Jet da Patrulha da França marcou a festa.

Trinta homens, das 13 nações africanas começaram a desfilar, por ordem alfabética de seus países: Benim, Burkina Faso, Camarões, República Centro-Africana, Congo, Gabão, Madagascar, Mali, Mauritânia, Níger, Senegal, Chade e Togo. Os chadianos estavam vestidos de branco e desfilaram a passo de ganso, impecáveis, muito aplaudidos pelo público.

A Costa do Marfim foi representada pelo ministro da Defesa, não participando do desfile, devido a um esfriamento de relações com Paris, depois de eleições polêmicas.

No total, 4.400 homens das forças francesas e africanas desfilaram, acompanhados de 241 cavalos e cavaleiros, 82 motos, 79 aviões e 38 helicópteros.

O desfile foi encerrado por oito paraquedistas que enfrentaram o mau tempo para descerem diante da tribuna de honra, na praça da Concórdia, com as cores francesa e europeias e bandeiras de 14 nações convidadas.

Na véspera, várias ONGs haviam se manifestado em Paris para denunciar a presença, nos contingentes africanos, de "criminosos" ou "responsáveis por violações dos direitos humanos", o que o governo desmentiu. "Estamos escandalizados com a presença na tribuna oficial de ditadores que atiram no povo", afirmou Odile Tobner, presidente da Associação ;Survie;.

O Partido Socialista também lamentou "a ambiguidade da escolha de um desfile militar".

Nicolas Sarkozy, em resposta, defendeu-se de qualquer "nostalgia colonial" e falou sobre a "especificidade" dos vínculos franco-africanos.

No "passado tumultuado", evocou a "dívida" da França para com as nações africanas "cujos filhos derramaram seu sangue para libertar os franceses" durante a Segunda Guerra Mundial.

Aproveitou a reunião para anunciar a atualização das pensões recebidas pelos ex-combatentes do exército francês residentes no exterior, qualquer que seja sua nacionalidade. A partir de agora, os proventos serão os mesmos pagos na França.

Muito esperada, a decisão deverá beneficiar 30.000 militares, além de ser objeto de um projeto de lei a ser examinado em breve.

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