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Correio Braziliense

Físico sumido retorna ao Irã

Shahram Amiri deixa os EUA depois de mais de um ano de "sumiço"


postado em 15/07/2010 09:32

O físico nuclear iraniano Shahram Amiri, que havia desaparecido em junho do ano passado, na Arábia Saudita, e meses depois denunciou ter sido sequestrado pelos serviços de inteligência americanos, deixou ontem os Estados Unidos para retornar a seu país. Embora o governo iraniano garanta que o cientista, ligado ao controverso programa nuclear(1), foi vítima da Agência Central de Inteligência (CIA), o Departamento de Estado reafirmou, em Washington, que Amiri partiu livremente — da mesma maneira como teria chegado aos EUA.

Antes de embarcar para Teerã, o físico disse ao canal de televisão iraniano Press TV que contaria na chegada, em detalhes, seu “calvário” desde o suposto sequestro, durante peregrinação à cidade sagrada de Meca. “Graças aos esforços da República Islâmica e à cooperação da embaixada do Paquistão em Washington, Shahram Amiri abandonou o território americano para dirigir-se ao Irã, com escala em um terceiro país”, declarou Ramin Mehmanparast, porta–voz da chancelaria iraniana, segundo a agência Isna.

Ao ser informado, na segunda-feira, de que Amiri buscara refúgio na representação paquistanesa em Washington, onde funciona uma seção de interesses do Irã, o Departamento de Estado declarou que o físico se encontrava no país “por vontade própria”. “Ele é livre para partir quando quiser”, insistiu o porta-voz Philip Crowley. Em março, a rede americana de TV ABC havia apresentado o iraniano como um desertor que estaria prestando informações à CIA sobre o programa nuclear.

Em entrevista ao canal oficial iraniano, Amiri alegou que, durante os últimos 14 meses, foi “submetido a uma pressão psicológica grande e vigiado por homens armados”. No entanto, ele não relatou nada sobre o local da detenção, nem sobre como teria se livrado dos captores e chegado à embaixada do Paquistão, que responde pelos interesses iranianos nos EUA desde que os dois países romperam relações, em 1980.

1 - Denominador comum
A controvérsia em torno do programa nuclear iraniano entrou em um item da declaração conjunta firmada ontem ao fim da Cúpula Brasil-União Europeia. “As duas partes concordam que a Declaração de Teerã, negociada (em maio) pelo Brasil e pela Turquia, é importante. Brasil e UE têm o entendimento de que o Irã tem direito a um programa nuclear com fins pacíficos, e pedem ao Irã que adote medidas adicionais para restabelecer a confiança no país”, disse ao Correio a diretora do Departamento de Europa do Itamaraty, embaixadora Maria Edileuza Fontenele Reis.

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