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Correio Braziliense

Japão pede desculpas por ocupação da Coreia


postado em 10/08/2010 08:10

O primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, pediu desculpas pelos sofrimentos impostos ao povo coreano durante 35 anos de colonização da Coreia pelo Japão, em uma declaração publicada nesta terça-feira (10/8).

"Manifesto meu profundo remorso e minhas sinceras desculpas pelos sofrimentos e danos imensos impostos pelo regime colonial japonês", disse Naoto Kan.

"Como vimos com a resistência feroz dos movimentos de independência, o povo da Coreia foi privado de sua nação e cultura, e sua dignidade, ao mesmo tempo que sua etnia foi profundamente ferida", completou.

A declaração, aprovada pelo governo após uma reunião na manhã desta terça-feira, ocorre no mês do 100º aniversário da anexação da Coreia pelo império japonês.

O Japão firmou um tratado de anexação em 22 de agosto de 1910, que foi efetivado no dia 29 seguinte.

A ocupação só terminou em 15 de agosto de 1945, com a derrota do Japão no final da II Guerra Mundial. A península coreana está dividida desde então, com um regime comunista ao norte e um regime capitalista ao sul.

"Quero enfrentar a história com dignidade. Quero ter o valor de olhar os fatos históricos, aceitá-los com modéstia e reconhecer com honestidade nossos próprios erros", completou o premier.

"Aqueles que infligiram sofrimentos têm a tendência de esquecê-los facilmente, enquanto os que os sofreram não podem esquecê-los".

Outros governantes japoneses já manifestaram tristeza com os sofrimentos e as atrocidades infligidas na Ásia pelo regime militarista nipônico na primeira metade do século XX.

Em 15 de agosto de 1995, o primeiro-ministro da época, o socialista Tomiichi Murayama, expressou "profundo remorso" e pediu "desculpas sinceras" a todos os países asiáticos colonizados.

Mas os vizinhos do Japão questionam, no entanto, a sinceridade das desculpas oficiais e criticam alguns líderes políticos conservadores que continuam negando os crimes e visitam regularmente o polêmico templo de Yasukuni, em Tóquio, que honra a memória de 2,5 milhões de soldados japoneses mortos, incluindo 14 criminosos de guerra condenados à morte pelos Aliados depois de 1945.

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