Jornal Correio Braziliense

Mundo

Funcionário da Fundação Mandela confirma ter guardado diamantes de Naomi

Um funcionário da Fundação Nelson Mandela pediu demissão após admitir ter guardado diamantes brutos entregues pela modelo Naomi Campbell, anunciou hoje (18/8) a associação beneficente sul-africana.

Jeremy Ratcliffe, que trabalhava para o Fundo de Ajuda à Infância de Nelson Mandela (NMCF), pediu demissão 12 dias após admitir ter guardado os diamantes durante cerca de dez anos. As pedras teriam sido um presente do ex-presidente da Libéria, Charles Taylor, que atualmente é julgado por crimes contra a humanidade em Haia.

[SAIBAMAIS]Ratcliffe só os entregou na semana passada à polícia sul-africana, que tenta identificar a origem das pedras.

Ele admitiu ter guardado os três pequenos diamantes oferecidos pela top-model, ;uma amiga;, no Trem Azul (trem de luxo que liga Johannesburgo e a Cidade do Cabo) em 26 de setembro de 1997.

Naomi queria doar os diamantes para o fundo, mas Ratcliffe disse não querer envolver a instituição em eventuais atividades ilegais.

Segundo o comunicado da NMCF desta quarta-feira, Jeremy Ratcliffe "lamenta" não ter informado a associação e por ter agido dessa forma, pedindo desculpas por ter prejudicado a reputação da Fundação Mandela.

O Tribunal Especial para Sierra Leoa (TSSL) em Haia não irá chamá-lo como testemunha.

A modelo afirmou recentemente em depoimento durante o processo do antigo presidente da Libéria ter recebido os diamantes na noite seguinte ao jantar de caridade organizado em 1997, na Cidade do Cabo, pelo ex-presidente sul-africano Nelson Mandela, no qual estava Charles Taylor.

A acusação no TSSL quer demonstrar que Charles Taylor, 62 anos, mentiu ao afirmar que jamais teve posse de diamantes brutos.

O ex-presidente da Libéria se diz inocente de onze crimes, que incluem assassinatos, estupros e alistamento de crianças-soldados durante a guerra civil em Serra Leoa, que fez 120 mil mortos.

Taylor, cujo processo foi aberto em janeiro de 2008, é acusado de ter dirigido secretamente os rebeldes do RUF durante a guerra civil (1991-2001), fornecendo armas e munição em troca de "diamantes de sangue".