Publicidade

Correio Braziliense

Vídeo mostra os mineiros soterrados

Familiares assistem emocionados às imagens. Governo identifica sinais de depressão


postado em 28/08/2010 07:00 / atualizado em 28/08/2010 08:18

Os familiares dos 33 mineiros presos há três semanas em uma mina no norte do Chile comprovaram ontem que uma imagem vale mais do que mil palavras. Depois de ter conversado com os trabalhadores, no início da semana, eles conseguiram ver pela primeira vez as gravações feitas pelo grupo a 700m sob a superfície. As imagens mostram oito mineiros, mais magros e sem camisa, devido ao forte calor e à umidade no refúgio onde aguardam o salvamento — que pode demorar até quatro meses. “Aqui fazemos reunião todos os dias, planejamos, rezamos... E nos reunimos em assembleia, para que todas as decisões tomadas sejam baseadas na determinação dos 33 que estão aqui”, diz um deles. O vídeo foi feito com uma minicâmera enviada pelo governo através de um duto de 11cm de diâmetro. Com 45 minutos de duração, o material foi exibido para os parentes dos trabalhadores em um telão montado perto da entrada da mina San José, no acampamento chamado Esperança. Muitos familiares aplaudiram o vídeo, e alguns não contiveram as lágrimas. Gravado num espaço de apenas 25m², o vídeo mostra que os operários estabeleceram um dormitório e um espaço sanitário. “Aqui, tudo está bem organizado: álcool, remédios, desodorantes, pasta de dentes”, conta um dos homens. O mineiro Víctor Segovia arrumou uma forma criativa de se manter ocupado: começou a escrever um diário para contar como transcorre cada dia nas profundezas da terra. O pedido deles para receberem cerveja foi vetado pelos médicos, mas eles conseguiram ao menos garantir o jogo. “Por aqui, jogamos dominó. Esse é o local onde nos divertimos”, mostram os soterrados no vídeo. O aparente bom humor, porém, não esconde as olheiras dos trabalhadores, que já pediram que as autoridades os tirem “desse inferno”. “Deveria haver condições para nos abrigarmos, mas quando aconteceu (o desabamento) a energia foi cortada, tudo foi cortado”, reclamou um dos mineiros. Segundo o ministro da Saúde, Jaime Mañalich, os trabalhadores já sabem que talvez o resgate seja possível apenas em dezembro. Pela observação do vídeo, ele identificou sintomas de depressão em pelo menos cinco dos 33. “Eles estão mais isolados, não querem aparecer na tela, não estão se alimentando bem”, relatou o ministro. Um grupo de psicólogos começou ontem a ministrar terapia a distância para cada um dos trabalhadores, com o propósito de montar um primeiro relatório sobre seu estado mental. “Estamos preparando remédios, porque seria ingênuo pensar que eles serão capazes de manter esse tremendo ânimo que nos mostraram durante um período de tempo tão longo”, explicou Mañalich. Os médicos também tentarão melhorar a dieta dos mineiros e passar das atuais 1.200 calorias diárias para mil, a partir de amanhã. O governo também busca alternativas para entreter os mineiros, além do dominó. “O programa inclui cantos, jogos com movimentos, cartas, lápis e tudo que possa ser utilizado por eles”, prometeu o ministro. Nasa Entre amanhã e segunda-feira, as autoridades chilenas aguardam a chegada de uma equipe da Nasa (agência espacial norte-americana) a Copiapó, onde fica a mina. “Será uma missão de três ou quatro pessoas. Vão colaborar na avaliação de pautas nutricionais, recuperação e atividade física e aspectos sanitários, nos quais eles têm enorme experiência”, disse Mañalich. Há dois dias, as autoridades chilenas participaram de uma teleconferência de 90 minutos com cinco especialistas da Nasa, que orientaram sobre como cuidar da desidratação e evitar doenças associadas ao isolamento em locais fechados. Fazemos reunião, planejamos, rezamos… E nos reunimos em assembleia, para que as decisões sejam baseadas na determinação dos 33” Fala de um dos mineiros, no vídeo exibido para os familiares

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade