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Governo francês é criticado por usar ameaça terrorista com fins políticos

Paris - O ex-primeiro-ministro francês Dominique de Villepin e parte da imprensa francesa criticam nesta terça-feira (21/9) o governo do presidente Nicolas Sarkozy, por considerarem que o Palácio do Eliseu usa o argumento da ameaça terrorista com fins políticos.

"A política de comunicação é no mínimo torpe e, às vezes, inclusive cínica a respeito da ameaça terrorista", declarou Villepin, inimigo e principal rival de Sarkozy na direita em uma entrevista à rádio pública France Info.

"Em termos de segurança, em termos de comunicação sobre estes assuntos é preciso ser prudentes e usar a palavra correta", disse Villepin, para quem o governo está colocando em prática "uma estratégia de tensão".

Há uma semana, diversas autoridades francesas, especialmente o ministro do Interior, Brice Hortefeux, vêm alertando sobre um crescente risco de atentado na França com base em informações repassadas pela Argélia, uma referência a uma ameaça da Al-Qaeda no Magreb Islâmico (AQMI).

As advertências foram feitas após um falso alerta de bomba que fechou a Torre Eiffel na quinta-feira passada, assim como a estação de trens de Saint-Michel.

Na quinta-feira, cinco franceses foram sequestrados no norte do Níger, uma zona de influência da AQMI.

Vários jornais também acusaram o governo de usar a ameaça para tentar mudar a pauta de discussões do país, centrada no momento em assuntos impopulares como a reforma do sistema de aposentadorias.

"O ministro do Interior não estará colocando medo nos franceses para desviar a atenção de seus caprichos sociais?", questiona o jornal Republique du Centre.