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Colonos judeus voltam a construir após fim da moratória

Hebron - Os colonos israelenses retomaram nesta segunda-feira (27/9) a construção de moradias em várias colônias da Cisjordânia, depois do fim da moratória de 10 meses que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu se negou a prolongar, apesar das pressões internacionais e do risco de afundar as negociações de paz.

O presidente palestino Mahmud Abbas, em visita a Paris, afirmou que os palestinos decidirão "depois de 4 de outubro", após consultarem os países árabes, se darão continuidade às negociações diretas com Israel.

Abbas lamentou que Netanyahu não tenha "prolongado a moratória em três ou quatro meses".

Ontem, ele voltou a dizer que as negociações seriam "uma perda de tempo" se Israel não estendesse a moratória, mas se absteve de anunciar o fim das discussões.

A Liga Árabe se reunirá a pedido da Autoridade Palestina para discutir a continuação das negociações.

Nas colônias de Adam, Ariel, Yitzhar, Karmé Tzur e Kyriat Arba - próximo à cidade de Hebron, lugar de grandes tensões entre israelenses e palestinos - as escavadoras já tinham começado a trabalhar.

Os trabalhos também serão retomados progressivamente em outras dez colônias.

"Vamos construir, mas com tranquilidade. Esperamos que (a moratória) termine realmente, e que não seja uma manobra de Netanyahu e que continuemos construindo, como antes" disse à AFP um representante dos colonos, Tzvi Katzover, durante uma peregrinação de 15 mil fiéis judeus.

Na colônia de Adam, norte da Cisjordânia, as escavadoras aplainavam o terreno onde serão construídas 30 casas, informou a rádio pública israelense.

Netanyahu não prolongou a suspensão da colonização, apesar das pressões internacionais e da ameaça da Autoridade Palestina de suspender as negociações diretas de paz retomadas em 2 de setembro.

O premier israelense, no entanto, fez um apelo aos colonos para que atuem com "responsabilidade", e pediu aos ministros que mantenham uma atitude discreta para evitar que Israel seja apontado como sabotador do processo de paz.

Netanyahu se dirigiu ao presidente Abbas, pedindo que seguisse adiante com as negociações mesmo depois do fim da moratória, que terminou às 22h GMT (19h de Brasília) de domingo.

"Faço um apelo ao presidente Abbas para que siga adiante com as negociações boas e honestas, para tentar chegar a um acordo de paz histórico entre os dois povos", afirmou Netanyahu em um comunicado, publicado após o fim da moratória.

Netanayahu também conversou a respeito do assunto com autoridades americanas, como a secretária de Estado Hillary Clinton, com o presidente egípcio Hosni Mubarak e com o rei da Jordânia Abdullah II, indicou o comunicado.

Segundo a imprensa israelense, a busca por uma fórmula de compromisso deve continuar nos próximos dias.

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, lamentou nesta segunda-feira que Israel não tenha prolongado a moratória, em uma entrevista coletiva conjunta em Paris com o presidente da Autoridade Palestina.

"Lamentamos que os pedidos unânimes para prolongar a moratória israelense sobre a colonização não tenham sido ouvidos. Lamento", afirmou Sarkozy após um almoço com Abbas no Palácio do Eliseu, sede da presidência francesa.

Nicolas Sarkozy disse que levou em consideração as declarações do primeiro-ministro israelense, que pediu moderação aos colonos, mas as considerou "insuficientes".

Os Estados Unidos, por meio de um porta-voz do Departamento de Estado, e do secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, manifestaram a decepção com a decisão israelense de não prolongar a moratória.

O ministro das Relações Exteriores britânico William Hague também "lamentou muito" o fim da moratória e expressou "preocupação" relacionada ao futuro das "negociações" de paz.

A Alta Representante de Relações Exteriores da União Europeia (UE), Catherine Ashton, também "lamentou" a decisão de Israel.

Khaled Mechaal, líder no exílio do Hamas, grupo radical islâmico que controla a Faixa de Gaza, pediu a Abbas nesta segunda-feira que encerre as negociações com Israel.

"Peço a meus irmãos da Autoridade Palestina, que haviam declarado que não retomariam as conversações com o inimigo se este prosseguisse com a colonização, que cumpram a promessa", declarou Mechaal em Damasco. "Negociar sem estar em uma posição de força é absurdo", destacou.

O fim da moratória autoriza qualquer pessoa ou instituição que tenha recebido uma licença de construção há dez meses a iniciar as obras.

A retomada das construções, adiada pela festa judaica de Sucot, ocorrerá principalmente em colônias isoladas, onde centenas de casas deverão ser construídas nos próximos meses.