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San Esteban nega que mineiros tenham alertado para risco de desabamento

SANTIAGO - A empresa San Esteban, dona da mina San José, onde 33 mineiros ficaram presos por 69 dias após um desabamento, negou em um comunicado que os trabalhadores tenham advertido para o risco no dia do acidente. "A nenhum de nós, os responsáveis pela operação da mina no momento manifestaram, nem por parte de algum trabalhador nem do chefe de turno a cargo, comentário algum a respeito de ruídos ou explosões incomuns", afirma o comunicado. "Muito menos solicitaram permissão para abandonar o trabalho em consequência do suposto risco que se corria", completa o texto, assinado pelo chefe de operações, Carlos Pinilla, e pelo gerente de minas, Pedro Simunovic. Carlos Vilches, parlamentar que integra a comissão de inquérito da Câmara dos Deputados sobre o acidente na mina San José, afirmou, após uma conversa com o mineiro Juan Illanes, que os trabalhadores haviam alertado para o risco de desabamento na manhã do acidente. Segundo Vilches, os mineiros pediram para sair da mina três horas antes do desabamento por causa dos fortes barulhos que ouviram no interior da jazida, mas o pessoal encarregado negou a autorização. "Ele me disse que, às 11 h, começaram a ouvir ruídos muito fortes. Pediram para sair e lhes negaram a permissão. Eles acham que houve negligência dos donos e gerentes da mina", afirmou Vilches ao jornal La Tercera. "Eles sabiam das condições e do risco (...). O mais razoável a fazer era tirá-los de lá", destacou. A versão teria sido confirmada por outros dois mineiros, Omar Reygadas e Jimmy Sánchez - que, consultados pela imprensa local, mencionaram o pedido de ajuda. "A mina estava fazendo barulho e nos deixaram lá dentro, mas não posso falar mais do que isso", afirmou Jimmy Sánchez, o mais jovem dos mineiros presos. Segundo Reygadas, deve ter sido o chefe de turno, Luis Urzúa, ou o capataz Florencio Ávalos quem contatou o gerente de operações da mina, Carlos Pinilla, para adverti-lo sobre os ruídos. Os 33 mineiros ficaram soterrados no dia 5 de agosto e foram resgatados na quarta-feira passada, após uma operação de 22 horas que acabou com 69 dias de espera.