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Crise do lixo: Ministro italiano ameaça manifestantes de Nápoles

Terzigno - O ministro do Interior italiano, Roberto Maroni, ameaçou nesta segunda-feira (25/10) atuar com mão de ferro contra os autores de violentos protestos em meio à crise do lixo na região de Nápoles, no sul da Itália.

"Há pessoas que querem instrumentalizar o protesto, criar desordens, que haja mortos. Impediremos isso, evitaremos qualquer conexão com associações criminosas", afirmou Maroni.

Três jovens, de 18 a 24 anos, foram detidos na noite desse domingo por atacar uma patrulha da polícia em Terzigno, a 20 km de Nápoles.

Pela primeira vez em uma semana não foram registrados protestos na noite de domingo contra a abertura de um aterro sanitário, constatou a AFP.

Milhares de pessoas manifestaram-se no domingo pacificamente em Terzigno para pedir o fechamento do lixão atual, um dos maiores da Europa, e evitar a abertura de um segundo.

Durante a madrugada, dois veículos da polícia que vigiavam a região foram cercados por cerca de 40 jovens, que tentaram atacar a patrulha.

Um agente ficou ferido no olho, enquanto os três homens foram detidos.

Os prefeitos dos municípios afetados pela crise do lixo rejeitaram no domingo assinar um compromisso proposto na véspera pela defesa civil italiana, que previa o congelamento da abertura de um novo aterro sanitário, se as manifestações cessassem.

A região de Nápoles está há 16 anos em "estado de emergência de resíduos" pela falta de incineradores e locais para descarregar o lixo, assim como pela inexistência de uma seleção prévia dos detritos, o que agravou o problema do lixo na região.

Muitos também suspeitam que a máfia napolitana, a Camorra, tenha se infiltrado no lucrativo mercado de processamento de resíduos.