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Estado de Minas

Obama pede aos opositores de Teerã que manifestem sua "sede de liberdade"


postado em 16/02/2011 08:52

Depois de exercer pressão em favor da derrocada do regime de Hosni Mubarak e de uma transição democrática no Egito, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, apontou sua metralhadora verbal para o Irã. “Espero que o povo do Irã continue a ter a coragem de expressar sua sede de liberdade e seu desejo de ter um governo representativo”, afirmou o mandatário. Obama também advertiu seus aliados do mundo árabe do risco de uma revolução em seus países, caso interrompam as aspirações democráticas da população. E mandou um recado aos governantes do Irã: “Não se pode exercer o poder pela força, indefinidamente”.

As palavras de Obama parecem não ter intimidado o “colega” iraniano, Mahmud Ahmadinejad. “Está claro e evidente que a nação iraniana tem inimigos, porque é um país que deseja brilhar e alcançar seu pico, e quer mudar as relações (entre os países no mundo)”, declarou Ahmadinejad, em entrevista ao vivo à TV estatal. “Claro que existe muita animosidade, mesmo contra o governo. Mas eles (os organizadores dos protestos) vão fracassar”, prometeu, ao ser questionado sobre as manifestações de anteontem, em Teerã, que deixaram dois mortos e vários feridos.

Um sinal de que Teerã não pretende ser leniente com novos protestos ficou explícito na maneira com que a bancada governista no Parlamento protestou diante da tribuna, em Teerã. Enfurecidos, os parlamentares exigiram o enforcamento de Mir Hossein Mousavi e Mehdi Karubi, dois importantes líderes da oposição. “Mousavi e Karubi devem ser executados! Morte a Mousavi, Karubi e Khatami!”, gritavam os parlamentares. O ex-presidente reformista Mohammad Khatami foi criticado por apoiar os manifestantes. Os governistas acusaram EUA, Reino Unido e Israel de terem organizado os protestos de segunda-feira. “O Parlamento condena os sionistas, os americanos e a ação antirrevolucionária e antinacionalista dos agitadores”, exclamou Ali Larinjani, presidente da casa.

Em entrevista ao Correio, do exílio em Oslo (Noruega), o oposicionista Mahmud Amiry-Moghaddam afirmou que o regime iraniano foi surpreendido pela adesão popular aos protestos — os maiores em 13 meses. “Dessa vez, o foco estava no real ditador, o aiatolá Ali Khamenei. Ao contrário de 2009, ficou claro que as pessoas cobravam uma mudança de regime”, disse. Para ele, as autoridades estão assustadas com a deposição dos governos na Tunísia e no Egito. “Por isso, ameaçaram Mousavi e Karubi”, acrescentou. O cientista político iraniano Mehrzad Boroujerdi, professor da Syracuse University (nos EUA), vê a radicalização da oposição. “Isso mostra que o movimento e os sentimentos que começaram em junho de 2009 ainda estão vivos e perseveram”, admite. Apesar disso, Mehrzad descarta que o Irã experimentará o mesmo fenômeno do Egito. “O regime iraniano é capaz de organizar gigantescas marchas que podem ofuscar os protestos da oposição. Além disso, a Guarda Revolucionária e a milícia Basij podem confrontar os adversários do governo”, acrescenta.

Em seu pronunciamento, Obama reconheceu que o mundo mudou. “Enviamos uma mensagem forte a nossos aliados na região, dizendo ‘tomemos o exemplo do Egito mais do que o Irã”, afirmou. O iraniano Ali Alfoneh, analista do American Enterprise Institute (em Washington), nota uma mudança de postura de Obama. “No caso do Egito, ele pediu a renúncia de Mubarak e a democratização do país. Em relação ao Irã, Obama elogia a coragem da oposição, mas não pede uma mudança no regime, o que é surpreendente para a maioria dos iranianos”, observa. O ativista Amiry-Moghaddam sustenta que o aiatolá Ali Khamenei não é como Mubarak. “Khamenei fará o que puder para manter o poder. Mas a sociedade civil não vai desistir.”

Iêmen e Barein
Em Sanaa, capital do Iêmen, partidários do regime do presidente Ali Abdullah Saleh invadiram um grande protesto contra o governo. A polícia precisou intervir, usando os tasers (pistolas de descarga elétrica). Pelo menos três pessoas ficaram feridas. “O povo quer acabar com o regime”, cantavam os manifestantes, repetindo o slogan usado no Egito. À medida que os opositores se aproximavam do palácio de Saleh, simpatizantes do Congresso Geral do Povo atacavam com paus e pedras. No Barein, o rei xeque Hamad ben Issa Al-Khalifa lamentou ontem a morte de dois xiitas e anunciou a formação de uma comissão de investigação ministerial. Os dois opositores morreram em confrontos com a polícia, segunda-feira e ontem.

No Brasil
O governo brasileiro confirmou que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, chegará ao país em 19 de março para uma visita de dois dias, que incluirá Brasília e Rio de Janeiro. Primeiro, Obama se encontrará com a colega, Dilma Rousseff, na capital, e, no dia seguinte, segue para o Rio, onde deverá conhecer uma comunidade atendida pelas Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs).

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