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Estado de Minas

Ex-ministro de Mubarak no banco dos réus


postado em 05/03/2011 12:02

Cairo - O ex-ministro do Interior egípcio Habib el-Adli, odiado pela população, compareceu neste sábado a um tribunal do Cairo para responder as acusações de lavagem de dinheiro e desvio de verbas, sendo assim o primeiro alto funcionário do regime depois de Hosni Mubarak a sentar no banco dos réus.

A audiência deu início a uma série de procedimentos judiciais contra altos funcionários do regime de Hosni Mubarak.

Habib el-Adli, demitido do governo no fim de janeiro, foi detido em 17 de fevereiro, uma semana depois da queda de Mubarak pela pressão das ruas.

El-Adli é desprezado por grande parte dos egípcios, que exigiram desde o início da revolta contra Mubarak, em 25 de janeiro, a demissão do ministro.

Sob o comando de El-Adli, a polícia foi acusada de ter comandado uma repressão sangrenta no início da revolta, com mais de 380 mortos e 6.000 feridos.

El-Adli, vestido com o uniforme branco de detento, se declarou inocente das acusações de lavagem de dinheiro e desvio de fundos públicos.

"Isto não aconteceu", afirmou duas vezes, sem perder a calma.

Em seguida, o processo foi adiado para 2 de abril, após duras discussões entre os dois representantes da sociedade civil presentes no tribunal e os advogados de defesa, que pediram mais tempo para preparar os argumentos.

Segundo o juiz, o ex-ministro do Interior é acusado de abuso de poder na venda de um terreno para um promotor por mais de 4,8 milhões de libras egípcias (800.000 dólares).

Ele também é acusado de envolvimento em uma operação de lavagem de dinheiro no valor de 4,5 milhões de libras egípcias (760.000 dólares).

Mas as acusações não deixaram os militantes pró-democracia satisfeitos. Eles queriam um julgamento por violações dos direitos humanos.

El-Adli é objeto paralelamente de outra investigação por ter ordenado tiros com balas reais contra os manifestantes durante a revolta popular.

Na audiência, um dos advogados dos demandantes, Ibrahim Basiuni, pediu autorização para a exibição na TV do processo, por considerar que o "povo tem o direito de ver este assassino no banco dos réus".

Mas o pedido não foi aceito e apenas um pequeno grupo de jornalista teve acesso à audiência.

Fora do tribunal, dezenas de pessoas gritavam frases como "o povo pede a execução do criminoso".

Vários ministros de Mubarak e empresários ligados ao antigo regime foram detidos e tiveram os bens congelados nos últimos dias. Alguns deles serão julgados nas próximas semanas.

A luta contra a corrupção é uma das principais exigências dos opositores que provocaram a queda de Mubarak, que também teve os bens, assim como os de sua família, bloqueados.

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