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Japão: Entenda os riscos provocados pelas explosões em usina nuclear

Com a falta de fornecimento de água, provocada pelo forte tremor de terra seguido por um tsunami, há risco de o núcleo dessas estruturas, que funcionam como uma câmara de esfriamento, derreta, lançando grandes quantidades de material radioativo na atmosfera.

Enquanto os operários da Usina Nuclear de Fukushima trabalham incessantemente no complexo de 240km ao norte de Tóquio, o mundo se pergunta o que poderá acontecer, caso as tentativas de controlar a situação no local falhem. Palavras e expressões geralmente desconhecidas do público, como reator, fusão, vasos de pressão e barras combustíveis soam como o prenúncio de uma tragédia, assombrada pelo fantasma de Chernobyl.


Nem os especialistas têm a dimensão real do que está ocorrendo nas plantas da usina. Embora a Agência Internacional de Energia Atômica e a Tokyo Electric Power Company emitam comunicados oficiais de hora em hora, há informações desencontradas. As autoridades japonesas, ao mesmo tempo em que admitem o risco de derretimento no núcleo de dois reatores, garantem que as estruturas não foram danificadas.

;As informações simplesmente não estão disponíveis para julgarmos quão provável é o derretimento dos núcleos, mas isso parece ser uma possibilidade. No entanto, quanto mais tempo passar sem que o calor provoque esse problema, mais despreocupados podemos ficar;, diz ao Correio Nathan E. Hultman, professor da Universidade de Maryland e especialista em energia limpa. ;A cada hora, as informações mudam. Precisamos esperar para ver o que vai ocorrer;, adverte à reportagem Sheldon Landsberger, coordenador do Programa de Engenharia Nuclear e Radioativa da Universidade do Texas.

A certeza, por ora, é que os reatores estão superaquecidos devido à interrupção na alimentação de água, após o terremoto de magnitude 9 ocorrido na sexta-feira. E essa é a substância vital no funcionamento correto de uma usina nuclear. No coração dos reatores, ocorre a fissão do nêutron, produzindo dois átomos mais leves, que liberam raios gama. A reação em cadeia resulta na energia nuclear. Mas, como esse não é um processo natural, os cientistas usam urânio ou plutônio enriquecidos para induzir a fissão do núcleo do átomo. Fontes de calor e energia, o urânio ou o plutônio aquecem a água, transformando-a em vapor. Quando isso acontece, uma turbina a vapor aciona o gerador que produz energia.

Por outro lado, a água também é importante para resfriar o núcleo do reator. A energia liberada pela fissão gera um calor tão intenso que a temperatura pode chegar a mil graus celsius. Se não houvesse qualquer tipo de controle, o produto da cisão atômica simplesmente explodiria pelos ares. É para isso que serve o reator nuclear. Em formato de cápsula, ele funciona como uma câmara de resfriamento, altamente blindada para evitar que as substâncias químicas escapem para a atmosfera. A água é fundamental para que isso não ocorra. Ela resfria o núcleo do reator e transforma-se em vapor, diminuindo a pressão interna.

O corte de fornecimento de água, como ocorreu em Fukushima, é o início de uma possível tragédia nuclear. ;Se o núcleo derreter, há motivo para uma grande preocupação, mas ainda não podemos falar em desastre. A esperança é que os vasos de contenção, que ficam ao redor dos reatores, sejam fortes o suficiente para segurar a radiação. Caso isso ocorra, é possível que apenas uma quantidade pequena de material radioativo escape para o ambiente;, diz, esperançoso, Nathan E. Hultman.