Mundo

Japão: Entenda os riscos provocados pelas explosões em usina nuclear

Com a falta de fornecimento de água, provocada pelo forte tremor de terra seguido por um tsunami, há risco de o núcleo dessas estruturas, que funcionam como uma câmara de esfriamento, derreta, lançando grandes quantidades de material radioativo na atmosfera.

Paloma Oliveto
postado em 14/03/2011 10:06

Enquanto os operários da Usina Nuclear de Fukushima trabalham incessantemente no complexo de 240km ao norte de Tóquio, o mundo se pergunta o que poderá acontecer, caso as tentativas de controlar a situação no local falhem. Palavras e expressões geralmente desconhecidas do público, como reator, fusão, vasos de pressão e barras combustíveis soam como o prenúncio de uma tragédia, assombrada pelo fantasma de Chernobyl.


Com a falta de fornecimento de água, provocada pelo forte tremor de terra seguido por um tsunami, há risco de o núcleo dessas estruturas, que funcionam como uma câmara de esfriamento, derreta, lançando grandes quantidades de material radioativo na atmosfera.Nem os especialistas têm a dimensão real do que está ocorrendo nas plantas da usina. Embora a Agência Internacional de Energia Atômica e a Tokyo Electric Power Company emitam comunicados oficiais de hora em hora, há informações desencontradas. As autoridades japonesas, ao mesmo tempo em que admitem o risco de derretimento no núcleo de dois reatores, garantem que as estruturas não foram danificadas.

;As informações simplesmente não estão disponíveis para julgarmos quão provável é o derretimento dos núcleos, mas isso parece ser uma possibilidade. No entanto, quanto mais tempo passar sem que o calor provoque esse problema, mais despreocupados podemos ficar;, diz ao Correio Nathan E. Hultman, professor da Universidade de Maryland e especialista em energia limpa. ;A cada hora, as informações mudam. Precisamos esperar para ver o que vai ocorrer;, adverte à reportagem Sheldon Landsberger, coordenador do Programa de Engenharia Nuclear e Radioativa da Universidade do Texas.

A certeza, por ora, é que os reatores estão superaquecidos devido à interrupção na alimentação de água, após o terremoto de magnitude 9 ocorrido na sexta-feira. E essa é a substância vital no funcionamento correto de uma usina nuclear. No coração dos reatores, ocorre a fissão do nêutron, produzindo dois átomos mais leves, que liberam raios gama. A reação em cadeia resulta na energia nuclear. Mas, como esse não é um processo natural, os cientistas usam urânio ou plutônio enriquecidos para induzir a fissão do núcleo do átomo. Fontes de calor e energia, o urânio ou o plutônio aquecem a água, transformando-a em vapor. Quando isso acontece, uma turbina a vapor aciona o gerador que produz energia.

Por outro lado, a água também é importante para resfriar o núcleo do reator. A energia liberada pela fissão gera um calor tão intenso que a temperatura pode chegar a mil graus celsius. Se não houvesse qualquer tipo de controle, o produto da cisão atômica simplesmente explodiria pelos ares. É para isso que serve o reator nuclear. Em formato de cápsula, ele funciona como uma câmara de resfriamento, altamente blindada para evitar que as substâncias químicas escapem para a atmosfera. A água é fundamental para que isso não ocorra. Ela resfria o núcleo do reator e transforma-se em vapor, diminuindo a pressão interna.

O corte de fornecimento de água, como ocorreu em Fukushima, é o início de uma possível tragédia nuclear. ;Se o núcleo derreter, há motivo para uma grande preocupação, mas ainda não podemos falar em desastre. A esperança é que os vasos de contenção, que ficam ao redor dos reatores, sejam fortes o suficiente para segurar a radiação. Caso isso ocorra, é possível que apenas uma quantidade pequena de material radioativo escape para o ambiente;, diz, esperançoso, Nathan E. Hultman.

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação